Declarar-se MAP

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Por shocu
Telegram: @shocu7

Para muitos MAP, a ideia de revelar a sua atração a outros é assustadora. O estigma e a má informação sobre pessoas com uma atração por menores deixa a maioria dos MAPs num estado de isolamento em que se sentem que falar sobre sua atração com outros, mesmo com amigos próximos ou familiares, é igual a se matar. O medo de como reagiriam outras pessoas apodera-se deles. Então, muitos MAPs frequentemente ficam presos num limbo no qual não podem ser totalmente honestos com aqueles ao seu redor, e isso contribui à sensação de isolamento que sentem.

Infelizmente, falar para outros sobre esta atração pode mesmo levar a uma vida arruinada para um MAP. A maioria de MAPs simplesmente não tem escolha além de manter sua atração em segredo e esconder seus sentimentos, o que causa uma espécie de desconexão com a maioria das pessoas. A Internet tem aliviado isso um pouco, pois hoje MAPs podem se conectar com outros indivíduos com experiências semelhantes. Podem criar perfis anônimos pelos quais podem ser abertos sobre sua sexualidade (pelo menos em alguns sites). No entanto, isso ainda não é o mesmo que poder ser aberto com aqueles fisicamente perto.

Eu gostaria de oferecer alguns conselhos para qualquer MAP que esteja considerando se assumir para alguém, tanto em termos de como abordar o tema quanto determinar se se assumir para esse indivíduo em particular é mesmo uma boa ideia. Tenho muita experiência revelando esta atração a outros, não só na Internet, mas também para amigos que conheço fora da Internet. Inclusive já falei disso com meus pais. Posso dizer por experiência própria que falar disto com outras pessoas se sente como fazer malabarismos com a vida, como entregar para a outra pessoa uma arma com a qual te pode atirar. É verdadeiramente um sentimento angustiante. Porém, uma vez que você conseguir se desabafar, uma vez que tudo tiver transcorrido e você escutar aquela pessoa te entender, o sentimento de alívio é imensurável. Sente-se como se se levantasse um peso enorme da cima. E daquele dia em diante, você se sentirá mais perto daquela pessoa, pois agora ela está ciente duma parte intrínseca de você e mesmo assim te aceita como você é. Sua confiança naquela pessoa irá crescer de maneira exponencial e você sentirá que poderá ser você mesmo ao redor desse indivíduo, mesmo quando você nem estiver falando da sua sexualidade, já que sentirá que verdadeiramente te aceita. É um sentimento maravilhoso.

Os Riscos

Dito tudo isso, é importante estar ciente que fazer isso envolve mesmo levar um risco grande. Infelizmente, não é algo que todo mundo poderá fazer. Você deve considerar cuidadosamente o tipo de pessoa a quem você estaria contando isto como também deve pensar na forma em que reagirá. A realidade é que revelar essa informação para a pessoa errada pode levar a repercussões horríveis. Falar sobre isto para a pessoa errada, alguém que talvez não respeite ou entenda essa parte de você, pode levar a que essa pessoa revele sua atração a outros e que torça o que você disse.

Tenho um amigo que, num estado de embriaguez, desvelou inadvertidamente que era um MAP para um conhecido. Aquele conhecido depois foi contar para todos os seus amigos, compartilhou nas redes sociais e informou para o empregador do meu amigo. Meu amigo perdeu quase todos os seus amigos, foi demitido no dia seguinte e esteve muito, muito perto de se matar após um colapso nervoso. Foi levado para psiquiatria por vários dias. Felizmente, ele conseguiu se recuperar e voltou para casa. Porém, ele teve que praticamente começar sua vida de novo. Teve que procurar outro emprego longe do seu trabalho anterior e também teve que evitar deparar-se com seus velhos amigos. É uma lástima, mas por sorte, ele conseguiu se recuperar desde então, e teve alguns seres queridos que o apoiaram.

A razão pela qual conto esse relato não é porque quero que você fique com medo de falar do tema com alguém, mas é para mostrar a importância de considerar exatamente a quem você estaria revelando isto para que então possa medir os riscos de dizê-lo. Tome cuidado, por favor.

Avalie Como Reagirá

É vital que você pense com cuidado sobre a pessoa com quem você falaria. Você terá que ponderar sobre quanta confiança você tem nessa pessoa, quão aberta tem a mente e quão compreensiva é. Tente imaginar essa pessoa reagindo ao que você diz, ou reagindo ao ouvir sobre o tópico de outra pessoa. Pode ser útil pedir a opinião dela sobre o assunto mencionando o tema dos MAPs num jeito que não implique você. Por exemplo, pode começar a conversa dizendo coisas como “Eu ouvi falar na Internet sobre umas pessoas chamadas de MAPs.” Se essa pessoa não estiver familiarizada com o termo, você pode explicá-lo de maneira ressumida, como por exemplo, “Aparentemente, são pessoas atraídas por menores, mas que não desejam machucá-los.” A resposta irá ajudar com a decisão de revelar ou não a atração de você.

Em essência, a pergunta mais crucial é esta: você conhece e confia nesse indivíduo o suficiente para determinar que, mesmo se afinal não entendesse ou gostasse dessa parte de você, não iria contar para outros? Essa pergunta é muito importante, já que se essa pessoa reagir duma maneira negativa à revelação de você, isso não será tão prejudicial quanto se essa informação acabasse espalhando-se a pessoas a quem você nunca teve a intensão de dizer.

Levando tudo isso em consideração, se você decidiu que confia nesse indivíduo o suficiente e está planejando declarar-se, eis uns conselhos que posso dar para te ajudar a abordar o tema. Antes de tudo, como já dito, você deveria tentar avaliar tanto quanto puder a possível reação a esta revelação mencionando o tópico na terceira pessoa, sem desvelar que você é um MAP. Em seguida, você deverá determinar como abordar o assunto de se assumir de maneira apropriada.

Abordagens

Isto certamente será uma conversa longa e emocionalmente desgastante. Assegure-se que tanto você quanto a pessoa com quem você falará tenham o tempo e a energia suficientes. Diga-lhe que tem algo importante que você quer discutir e concordem num tempo e lugar para se reunir, com bastante tempo de sobra. E claro, assegure-se que seja um lugar onde possam ter privacidade. Recomendo veementemente não revelar isto a mais duma pessoa duma vez.

Uma vez que o grande dia chegar, você deverá considerar como abordar o tema. Como poderá imaginar, isto não será algo que poderá simplesmente dizer em termos simples sem preâmbulo nenhum; a maioria das pessoas não está familiarizada com o tópico de pessoas atraídas por menores e começar por dizer que você é uma dessas pessoas pode dar a ideia errada. Você deve começar por explicar como funciona essa atração antes de dizer o que é.

Tem duas abordagens principais que você pode usar para realizar isso. Tenho usado cada uma dessas abordagens (ou uma mistura das duas) muitas vezes ao revelar minha atração.

A primeira é tentar começar uma conversa sobre a natureza da atração sexual. Pode explicar como as pessoas parecem estar naturalmente atraídas por certos tipos de pessoas e características, e que o que são esses tipos de pessoas e características não é algo que possamos controlar. Pode usar diferentes orientações sexuais como exemplo. Pode perguntar por que algumas pessoas só gostam do sexo oposto (heterossexuais), por que outras só gostam do mesmo sexo (homossexuais) e por que algumas gostam de ambos os sexos (bissexuais). Se a pessoa a quem você vai revelar sua atração é homossexual ou bissexual, pode lhe perguntar diretamente (por que tem essa atração), mas por favor seja respeitoso.

Depois poderá lhe perguntar se acha que essas atrações podem ser alteradas, se podemos controlá-las de algum jeito. É importante tentar ter uma conversa bidirecional sobre isto ao invés de simplesmente falar sobre o que acha você. Pouco a pouco, você poderá ligar o tema com você mesmo: explique como você também tem uma atração que nunca escolheu ter e que não pode alterar, e que sua atração, por um mero acaso, acontece ser por menores. Com sorte, a prévia conversa ajudará com que essa pessoa entenda que sua atração não é um tipo de escolha que você fez, mas algo que sempre foi parte de você e que simplesmente teve que viver com ela.

A segunda abordagem que costumo usar é descrever em detalhe minha própria descoberta da minha atração. Você pode começar pelo início e falar sobre como pouco a pouco foi ficando ciente de que você tem uma certa atração que é diferente da maioria das pessoas. Se você é um MAP exclusivo como eu, pode explicar como você começou a perceber que não ficava atraído pelos adultos, e pouco a pouco reconheceu que estava atraído por menores. Você também pode falar sobre as emoções que sentiu enquanto descobriu isso, o que você achava que poderia significar. Um bom exemplo dessa abordagem pode se encontrar neste mesmo site; eu escrevi sobre minha própria autodescoberta no meu ensaio, “A Vida dum MAP”. Você pode usar esse ensaio como modelo para sua própria descrição da sua autodescoberta, se o achar aplicável. Naturalmente, isto vai depender de cada MAP individual e sua própria experiência. Dependendo de como exatamente você descobriu sua atração por menores, esta abordagem pode ou não facilitar sua discussão. Cada um é diferente.

Você não tem necessariamente que escolher uma abordagem e usar só essa. Pode misturá-las como você achar melhor. Pode começar com uma abordagem e acabar em outra. Vai depender muito em você como indivíduo e na pessoa com quem você estará falando. Inclusive pode que ache que outra abordagem totalmente diferente seja mais adequada para você ou para a pessoa com quem você falará, mas menciono essas baseado nas minhas próprias experiências.

Depois de Declarar-se

Uma vez tudo for dito, é crucial estabelecer que ter uma atração por menores não é o mesmo que ter um desejo de fazer-lhes mal; muitas pessoas pensam que ser um MAP significa necessariamente ter um desejo incontrolável de agredir sexualmente um menor. Isso não é o caso para a maioria dos MAPs. Você pode fazer analogias com outros tipos de sexualidades para ajudar a ilustrar essa ideia.

Por exemplo, você pode explicar que se um homem heterossexual vir uma mulher que acha atraente na rua, isso não quer dizer que aquele homem terá um desejo de agredi-la sexualmente. Funciona de maneira semelhante para MAPs: se um MAP vir um menor que acha atraente, isso não significa que essa pessoa irá perder o controle e tentar fazer algo ruim para aquele menor. É importante deixar claro este ponto: que você está atraído por menores, não pelo abuso sexual.

Dito tudo isso, é provável que essa pessoa tenha muitas perguntas sobre esta atração, sobre você, sobre o que pode significar, sobre o que se pode fazer a respeito, sobre como você ficou ciente dessa atração, etc. Você vai querer informar o melhor que puder sobre esta atração para aquela pessoa e esclarecer qualquer confusão que tiver a respeito.

Para isso, é ideal se você mesmo estiver propriamente informado sobre como funciona esta atração, e também deveria se familiarizar com a terminologia associada. Meus próprios ensaios podem ser um bom começo para isso, sobretudo o ensaio “Mal-entendidos e Atitudes com Respeita à Pedofilia / Atração por Menores”, que contém algumas explicações básicas sobre o que é um MAP e também sobre a terminologia relacionada. Também abarca algumas ideias erradas comuns. Porém, recomendo igualmente ir além dos meus ensaios e fazer suas próprias pesquisas sobre o assunto. Pergunte a outros MAPs, consulte outras fontes, informe-se.

Com sorte, essa informação poderá ajudar você a responder as perguntas e preocupações do indivíduo a quem você decidiu se revelar. Explique tudo com paciência e não indague demais nos detalhes se não for necessário. Lembre-se que para essa pessoa, tudo isto provavelmente será um conceito novo e estará processando muita informação. Se acha que ajudaria, pode sugerir que leia artigos/sites — como por exemplo os meus ou alguns que você tiver encontrado — para aprender mais sobre o assunto com calma. Mas só faça isso se a pessoa estiver interessada em aprender mais. Não todos ficarão interessados em aprender tudo o possível sobre os MAPs, sobretudo no primeiro dia. O que é mais importante é explicar as coisas que mais ajudarão essa pessoa a entender a situação de você.

Você deve tomar cuidado para não sobrecarregar essa pessoa com informações demais. Por exemplo, não é preciso explicar todas as quatro cronofilias relacionadas com MAPs (nepiofilia, pedofilia, hebefilia e efebofilia), só a(s) que você tem e também a pedofilia se não for a cronofilia que você já tem, pois essa palavra é provavelmente a que essa pessoa já teve ouvido antes mas que não necessariamente entende. Se perguntar sobre fazer terapia ou “procurar ajuda”, você pode explicar o que isso significa para um MAP, que isso só pode te ajudar a aceitá-lo, não eliminá-lo. Se perguntar qual a diferença entre um MAP e um pedófilo, e você acha que dar uma explicação completa seria demasiada informação, pode resumir de maneira simples ao dizer que um pedófilo é um “tipo” de MAP. Além disso, recomendo enfaticamente não discutir sobre qualquer coisa relacionada com MAPs anti-/pró-/neutro-contato, pelo menos não no primeiro dia, pois isso é outro tema muito complicado que pode causar que a conversa divague do tema da sua atração.

Explicar tudo isso pode ser um processo que leve vários dias porque, como mencionado, é melhor não sobrecarregar essa pessoa com demasiados detalhes dum só golpe. Você também deve lembrar só elaborar se esse indivíduo estiver interessado de verdade em aprender mais. Se essa pessoa estiver satisfeita com a explicação básica que você deu, recomendo não insistir mais em aprofundar no tema a não ser que exprima interesse. Não há necessidade de dar a impressão de que você está tentando encher a cabeça dessa pessoa com informações excedentes. Você deve considerar deixar certos tópicos para outro dia.

Depois de pelo menos um dia tiver passado, assegure-se de falar com aquela pessoa. Avalie quão bem está assimilando esta revelação e quão bem a entende, e diga-lhe que pode fazer qualquer pergunta que tiver. Assegure-se de não insistir demasiado no assunto se vir que incomoda esse indivíduo ou se simplesmente não estiver interessado, mas se mostrar um interesse genuíno em aprender mais, você pode aprofundar mais em temas mais específicos sobre os MAPs. Pode até considerar referir essa pessoa a artigos e vídeos informativos que você encontrou se ficar interessada em ler mais sobre o tema.

Seja Valente

Tudo isto vai ser um processo bastante intimidante para você, mas com sorte, se essa pessoa for compreensiva e você explicar tudo suficientemente bem, um sentimento de alívio irá tomar conta de você, e descobrirá uma nova confiança com essa pessoa. Lembre-se que toda pessoa é diferente, e dependendo de como são você e o indivíduo com quem você estará falando, como também das circunstâncias específicas de você, os conselhos esboçados aqui podem ou não ser aplicáveis. Leve em consideração essas sugestões, mas também seja flexível e prudente.

Se você decidir proceder com isto, espero que tudo dê certo e que seu relacionamento com essa pessoa cresça mais forte que nunca. Lembre-se que não há problema se você considerar que os riscos são elevados demais ou se determinar que a pessoa em questão não reagirá bem. De qualquer jeito, elogio sua valentia, e espero que meus conselhos aqui foram úteis para você.

Revelar que eres un MAP

MAPness en español

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Por shocu
Telegram: @shocu7

Para muchos MAP, la idea de revelar su atracción a otros asusta. El estigma y la mala información asociados con las personas atraídas por menores deja a la mayoría de los MAP en un estado de aislamiento en el que uno se siente que hablar sobre esta atracción con otros, incluso con amigos cercanos o familiares, es igual a quitarse la vida. El miedo de cómo reaccionarían otras personas los abruma. Es por ello que muchos MAP tienden a estar atrapados en un limbo en el que no pueden ser totalmente honestos con aquellos a su alrededor, y esto contribuye a la sensación de aislamiento que sienten.

Lo que es lamentable es que hablarles a otros sobre la atracción por menores sí puede llevar a una vida arruinada para un MAP. Muchos MAP simplemente no tienen otra elección que mantener su atracción en secreto y esconder sus sentimientos, lo que causa una especie de desconexión con la mayoría de las personas. La existencia de Internet ha aliviado esto un poco, ya que ahora los MAP pueden conectarse con otros individuos con experiencias similares. Pueden crear perfiles anónimos con los cuales pueden ser abiertos sobre su sexualidad (al menos en algunos sitios). Sin embargo, esto aún no es lo mismo que poder ser abierto con aquellos que están físicamente cerca.

Quisiera ofrecer algunos consejos para cualquier MAP que esté considerando revelar su atracción a alguien, tanto en términos de saber cómo abordar el tema como determinar si es buena idea revelar esa información a ese individuo en particular. Tengo mucha experiencia revelando mi atracción a otros, no solo a personas en línea, sino también a algunos de mis amigos que conozco fuera de Internet. Incluso se lo he contado a mis padres. Puedo decir por experiencia propia que hablar de esto con otros se siente como hacer malabares con la vida, como entregarle a la otra persona un arma con la que te puede disparar. Es verdaderamente un sentimiento desgarrador. No obstante, una vez que logres decirlo, una vez que todo haya salido a la luz y escuches a la otra persona entenderte, el sentimiento de alivio es inmensurable. Se siente como si levantaras de los hombros un peso enorme. Y a partir de ese día, te sentirás mucho más cercano a esa persona, pues ahora está percatada de una parte intrínseca de ti, y aun así te acepta como eres. La confianza que tienes con esa persona crecerá de manera exponencial, y te sentirás como si puedes ser tú mismo alrededor de ese individuo, incluso si ni estás hablando de tu sexualidad, pues sentirás que esa persona verdaderamente te acepta. Es un sentimiento maravilloso.

Los riesgos

Dicho esto, es importante tener en cuenta que hacer esto involucra un gran riesgo. Lamentablemente, es algo que no todos podrán hacer. Debes considerar el tipo de persona a la que le estarías contando esto y también cómo piensas que reaccionaría. La realidad es que darle esta información a la persona equivocada puede llevar a repercusiones terribles. Decirle esto a la persona equivocada, alguien que no respete o entienda esta parte de ti, puede llevar a que esa persona revele tu atracción a otros y que tuerza tus palabras.

Tengo un amigo que, mientras estaba borracho, reveló por accidente que era un MAP a un conocido. Ese conocido luego le contó a todos sus amigos, habló de ello en las redes sociales e informó al empleador de mi amigo. Mi amigo perdió a casi todas sus amistades, fue despedido el siguiente día y estuvo muy, muy cerca de quitarse la vida después de un colapso nervioso. Fue llevado a psiquiatría por varios días. Allí, afortunadamente, logró recuperarse y regresó a casa. Sin embargo, prácticamente tuvo que comenzar su vida de nuevo. Tuvo que buscar otro trabajo lejos del previo y evitar encontrarse con sus viejos amigos. Es lamentable, pero por suerte, ha logrado recuperarse desde entonces, y tenía a algunos seres queridos que lo apoyaron.

La razón por la que relato esta historia no es tanto como para asustarte y hacer que tengas miedo de hablar de esto con nadie, sino para mostrar la importancia de tomar en consideración a quién exactamente le estarías revelando esto para que puedas sopesar los riesgos de decírselo. Toma cuidado, por favor.

Evalúa cómo reaccionará

Es importante pensar mucho sobre la persona a quien le estarías contando esto. Tendrás que meditar sobre cuánta confianza tienes con esa persona, cuán abierta tiene la mente y cuán comprensiva es. Intenta imaginarte a esa persona reaccionando a lo que dices, o reaccionando al escuchar sobre este tema de otro individuo. Puede que ayude preguntarle por su opinión sobre el asunto al mencionarle el tema de los MAP de una manera que no te implique a ti. Por ejemplo, puedes abrir la conversación con cosas como “He oído hablar en Internet sobre estas personas llamadas MAP”. Si esta persona no está familiarizada con el término, puedes explicárselo de una manera corta, como “Al parecer, son personas atraídas por menores pero que no desean hacerles daño”. La respuesta que dé a esto ayudará con tu decisión de revelarle o no tu atracción.

En esencia, la pregunta más crítica es esta: ¿conoces y confías en esta persona lo suficiente como para determinar que, incluso si resultara que no entiende o no le gusta esta parte de ti, no iría a decírselo a otras personas? Esta pregunta es de suma importancia, pues si esta única persona reacciona de manera negativa a lo que le dices, eso no será tan perjudicial como si esa información acabara diseminándose a otras personas a quienes nunca tenías la intención de decir.

Tomando todo esto en cuenta, si has decidido que confías de este individuo lo suficiente y piensas revelarle tu atracción, aquí dejo algunos consejos que podrían ayudarte a abordar el tema. Antes que nada, como ya mencionado, debes intentar evaluar como mejor puedas la posible reacción a este tópico al mencionarlo en la tercera persona, sin desvelar el hecho de que eres un MAP. Después de esto, debes determinar cómo abordar el tema de revelar tu atracción de manera adecuada.

Estrategias

Lo más probable es que esto sea una conversación larga y emocionalmente agotadora. Asegúrate de que tanto tú como la persona a quien le estarás diciendo esto tengan suficiente tiempo y energía. Dile que hay algo muy importante que quieres discutir y pónganse de acuerdo en un buen tiempo y lugar para encontrarse, con bastante tiempo de sobra. Y claro, asegúrate de que sea en un sitio donde haya privacidad. Recomiendo rotundamente que no intentes revelar tu atracción a más de una persona a la vez.

Una vez que llegue el gran día, debes considerar la estrategia que emplearás para hablar del tema. Como podrás imaginarte, esto no es algo que podrás sencillamente decir en términos simples sin preámbulo alguno porque la mayoría de las personas simplemente no está familiarizada con el tema de personas atraídas por menores y puede que reciba la impresión incorrecta si comienzas por decir que eres una de esas personas. Debes comenzar esto con una explicación de cómo funciona esta atracción antes de decir lo que es.

Hay dos estrategias principales que se pueden emplear para lograr esto. He usado cada una (o a veces una combinación de las dos) muchas veces al revelarle mi atracción a alguien.

La primera es tratar de comenzar una conversación sobre la naturaleza de la atracción sexual. Puedes explicar cómo las personas parecen estar naturalmente atraídas por ciertos tipos de personas y características, y que lo que son estos tipos de personas y características en realidad no es algo que podamos controlar. Puedes usar diferentes orientaciones sexuales como ejemplo. Puedes preguntar por qué a algunas personas les atrae el sexo opuesto (heterosexuales), por qué a otras solo les atrae el mismo sexo (homosexuales) y por qué a algunas les atrae ambos sexos (bisexuales). Si la persona a la que le hablas es en sí homosexual o bisexual, puedes hacerle la pregunta directamente (por qué tiene esa atracción), pero por favor hazlo de manera respetuosa.

Luego puedes preguntar si piensa si es posible que estas atracciones se puedan alterar, si es posible controlarlas de alguna forma. Es importante tener una conversación bidireccional sobre esto en vez de simplemente hablar sobre cómo lo ves tú. Poco a poco, podrás conectar el tema a ti; explica cómo tú también tienes una atracción que nunca elegiste tener y que no puedes controlar, y que tu atracción resulta ser por menores. Con suerte, la conversación previa ayudará a que esta persona entienda que tu atracción no es un tipo de elección de vida que adoptaste, sino algo que siempre ha sido parte de ti y que simplemente has tenido que aprender a vivir con ella.

La segunda estrategia que tiendo a usar es la de describir detalladamente mi propio descubrimiento de mi atracción. Puedes comenzar desde el principio y hablar sobre cómo poco a poco te diste cuenta de que tienes una cierta atracción que difiere de la mayoría de las personas. Si eres un MAP exclusivo como yo, puedes explicar cómo notaste que no te atraían los adultos, y que poco a poco te diste cuenta de que te atraían los menores. También puedes hablar sobre las emociones que sentiste al descubrir esto, lo que pensabas que pudiera significar. Un buen ejemplo de esta estrategia se puede encontrar en este mismo sitio web, pues ya he escrito sobre mi propio autodescubrimiento en mi ensayo, “La vida de un MAP”. Puedes usar este ensayo como modelo para tu propia descripción de tu autodescubrimiento, si lo encuentras aplicable. Claro, esto dependerá de cada MAP individual y su propia experiencia particular. Dependiendo de cómo exactamente te diste cuenta de que te atraían los menores, esta estrategia puede o no facilitar tu discusión. Cada persona es diferente.

No es necesario elegir una sola estrategia y aferrarse a ella. Puedes incorporarlas como convenga. Puedes comenzar con una y acabar en la otra. Dependerá mucho de ti como individuo y de la persona a la que le hablas. Incluso puede que encuentres que otra estrategia completamente diferente sea más adecuada para ti o para la persona a la que le hablas, mas menciono estas basándome en mi propia experiencia.

Después de revelar que eres un MAP

Una vez que todo se haya dicho, es fundamental que establezcas que estar atraído por menores no es lo mismo que tener un deseo de hacerles daño; muchas personas piensan que ser un MAP significa tener una ansia incontrolable de agredir sexualmente a un menor. Esto no es el caso para la mayoría de los MAP. Puedes hacer analogías con otros tipos de sexualidades para ayudarte a ilustrar este punto.

Por ejemplo, puedes explicar que si un hombre heterosexual ve a una mujer que encuentra atractiva en la calle, eso no quiere decir que ese hombre tendrá un deseo de agredirla sexualmente. Funciona de manera semejante para los MAP: si un MAP ve a un menor que encuentra atractivo, eso no quiere decir que perderá el autocontrol y que intentará hacerle algo dañino a ese menor. Es importante dejar muy claro este punto: que te atraen los menores, no el abuso sexual.

Ya habiendo dicho todo, es posible que esta persona tenga muchas preguntas, preguntas sobre esta atracción, sobre ti, sobre lo que pudiera significar, sobre qué se puede hacer al respecto, sobre cómo te diste cuenta, etc. Querrás informarle como mejor puedas sobre esta atracción y aclarar cualquier confusión que tenga al respecto.

Para esto, es ideal que tú mismo te informes bien sobre cómo funciona esta atracción y que te familiarices con su terminología asociada. Mis propios ensayos pueden proveer un buen comienzo para esto, sobre todo “Malentendidos y actitudes con respecto a la pedofilia / atracción por menores”, el cual contiene unas explicaciones básicas sobre lo que es un MAP y sobre terminología relacionada. También abarca algunas ideas erróneas comunes sobre el tema. No obstante, también recomiendo ir más allá que mis ensayos e indagar tú mismo sobre el asunto. Hazles preguntas a otros MAP, consulta otras fuentes, infórmate.

Con suerte, esa información te ayudará a responder a las preguntas y preocupaciones de la persona a quien le decidiste revelar tu atracción. Explícalo todo con paciencia y no indagues demasiado en los detalles si no es necesario. Recuerda que para esta persona, todo esto probablemente será un concepto nuevo y estará procesando mucha información. Si piensas que ayudaría, le puedes sugerir que lea artículos / sitios web —como los míos, por ejemplo, o algunos que hayas encontrado— para que pueda aprender más de ello con calma, pero solo haz esto si está interesada en aprender más sobre el asunto. No todos estarán interesados en aprender todo lo posible sobre los MAP, sobre todo si se trata del primer día. Lo que es más importante es que le expliques las cosas que más ayudarán a que entienda tu situación.

Debes tomar cuidado en no abrumar a esta persona con demasiada información. Por ejemplo, no es necesario explicar todas las cuatro cronofilias relacionadas con los MAP (nepiofilia, pedofilia, hebefilia y efebofilia), solo la(s) que tienes, y también la pedofilia si no es la cronofilia que tienes, pues esa palabra es probablemente la que esta persona ya ha escuchado antes pero que no necesariamente entiende. Si pregunta sobre recibir terapia o “buscar ayuda”, puedes explicarle lo que eso significa para un MAP, que solo te puede ayudar a aceptarlo, no a deshacerte de la atracción. Si pregunta cuál es la diferencia entre un MAP y un pedófilo, y piensas que dar la explicación completa sería demasiada información, puedes resumirlo de la forma más sencilla al decir que un pedófilo es un “tipo” de MAP. Además, recomiendo encarecidamente no mencionar nada sobre los MAP anti/pro/neutrocontacto, al menos no el primer día, pues eso es otro tema muy complicado que puede causar que la conversación divague del tema de tu atracción.

Explicar todo esto puede ser un proceso de varios días, pues, como mencionado, es importante no abrumar a la persona con demasiados detalles de un golpe. También deberías recordar solo elaborar si ves que esa persona de verdad está interesada en aprender más del tema. Si se complace con la explicación básica que diste, sugiero no insistir en entrar más a fondo con el asunto a menos que exprese interés. No hay necesidad de darle la impresión de que le estás intentando llenar la cabeza con información excedente. Deberás considerar dejar algunos tópicos para otro día.

Después de que haya pasado al menos un día, asegúrate de hablar con esta persona. Evalúa cuán bien está asimilando esta revelación y cuán bien lo entiende, y déjale saber que te puede hacer cualquier pregunta que tenga. Asegúrate de no insistir demasiado en el tema si ves que incomoda a esta persona o si simplemente no muestra interés, mas si de verdad muestra una curiosidad genuina para aprender más, puedes profundizar en temas más específicos sobre los MAP. Incluso puedes referir a este individuo a artículos o videos informativos que hayas encontrado si parece que le interesa leer sobre el tema.

Sé valiente

Ciertamente esto será un proceso bastante intimidante para ti, pero con suerte, si esa persona es comprensiva y se lo has explicado todo lo suficientemente bien, un sentimiento de alivio se apoderará de ti, y descubrirás una nueva confianza con esa persona. Recuerda que cada uno es diferente, y dependiendo de cómo tú o el individuo con quien estés hablando sean como personas, al igual que las circunstancias específicas pertinentes a ustedes, los consejos dados aquí pueden aplicar o no. Toma en consideración todo lo sugerido aquí, pero también sé flexible y prudente.

Si decides llevar esto a cabo, espero que todo te salga bien y que tu relación con esta persona crezca más fuerte que nunca. Recuerda que no hay problema si consideras que los riesgos sean demasiado altos o si determinas que la persona en cuestión no lo recibirá bien. De cualquier modo, elogio tu valentía, y espero que mis consejos aquí te hayan sido de ayuda.

Coming Out as a MAP

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By shocu
Telegram: @shocu7

For many MAPs, the prospect of revealing their attraction to others is frightening. The stigma and misinformation surrounding people with an attraction to minors leaves the average MAP in a state of isolation in which they feel like telling others about their attraction—even to close friends or family members—is akin to ending one’s life. The fear of how others would react overwhelms them. And so, many MAPs often get trapped in a limbo in which they cannot be fully honest with those around them, and this contributes to their sense of isolation.

What is unfortunate is that telling others about one’s minor attraction can indeed lead to a MAP’s life being ruined. Most MAPs simply have no choice but to stay in the closet and hide their feelings, causing a sort of disconnection from most people. The Internet has alleviated this somewhat, as MAPs are today able to connect with other individuals with similar experiences. They can create anonymous profiles through which they can be open about their sexuality (at least on some sites). However, this is still not quite the same as being able to be open to those physically around you.

I would like to offer some advice to any MAP out there who may be considering coming out to someone, both in terms of how they can approach the subject as well as determining whether coming out to that particular individual is a good idea. I have a lot of experience coming out to people, not only online, but also to some of my offline friends and even my parents. I can say from first-hand experience that telling this to other people feels like juggling your life, like handing the other person a gun that they can shoot you with. It’s a harrowing feeling indeed. However, once it’s off your chest, once everything is said and done, and you hear the other person understand you, the feeling of relief is immeasurable. It feels as though you’ve lifted a humongous burden from your shoulders. And from that day forth, you will grow much closer to that person, as they are now aware of an intrinsic part of you and still accept you for who you are. Your trust with that person will grow exponentially and you will feel like you can simply be yourself around them, even if you’re not even talking about your sexuality, because you will feel like that person truly accepts you. It’s a wonderful feeling.

The Risks

All this said, it is important to realize that doing this does involve taking a big risk. It is unfortunately something that not everyone will be able to do. You must take into serious consideration the type of person you’d be telling this to as well as how you think they’ll react. The reality is that telling this information to the wrong person can indeed lead to terrible repercussions. Telling the wrong person, someone who may not respect or understand this part of you, can lead to them outing you to other people and misconstruing what you told them.

I have a friend who, while drunk, accidentally revealed that he was a MAP to someone he knew. This person went on to tell all of his friends, post about it on social media, and inform my friend’s employer. My friend lost almost all of his friends, was fired the following day, and very, very nearly committed suicide after a breakdown. He was taken to a psych ward for several days where he thankfully managed to recover and return home. However, he had to practically start his life all over again. He had to find another job away from his previous one as well as avoid coming across his old friends. It’s unfortunate, but thankfully, he was able to recover ever since, and he did have some loved ones that supported him.

The reason I’m recounting this story is not so much to scare you off from ever talking about this with anyone, but to show the importance of taking into consideration exactly who it is you reveal this to so that you can measure the risks of telling them. Please do be careful.

Gauge How They Will React

It is imperative to really think about the person you’d be telling this to. You will have to meditate on just how much trust you have in that person and how open-minded and understanding they are. Try to imagine that person reacting to what you say, or reacting to hearing about this topic from someone else. It may help to ask for their opinion on the matter by mentioning the topic of MAPs in a way that doesn’t implicate you. For example, you may approach the conversation by stating things such as, “I’ve heard on the Internet about these people called MAPs.” If they’re unfamiliar with the term, you can explain it in short, like, “Apparently, they’re people who are attracted to minors but who don’t wish to harm them.” Their response to this may help inform your decision on whether or not to come out to them.

Ultimately, the most crucial question is this: do you know and trust this person enough to determine that they, even if they end up not understanding or liking this part of you, would not go on to tell other people? This question is extremely important, since this one person reacting negatively to your coming out will not be nearly as detrimental as the information spreading out to other people you never intended to tell.

Taking all of this into consideration, if you’ve decided that you trust this individual enough and are planning on coming out to them, here are some tips I can provide to help you approach this subject with them. First, as described previously, you should try to gauge as much as you can their possible reaction to this information by mentioning the topic in the third person—without mentioning yourself as a MAP. After this, you must determine how to properly approach the subject of coming out.

The Approaches

This will most likely be a very long and emotionally-draining conversation. Make sure both you and the person you’re coming out to have the time and the energy for it. Tell them there is something important you wish to talk about and agree on a good time and place to meet, with plenty of time to spare. And of course, make sure it’s in a place where you can have privacy. I highly recommend against trying to come out to more than one person at a time.

Once the big day comes, you must consider how you will approach the subject. As you may imagine, this will not be something you’ll be able to state plainly in simple terms with no preface because most people are simply unfamiliar with the topic of people attracted to minors and may get the wrong idea if you start off by saying you’re such a person. You must commence things by first making them understand how this attraction works before saying what it is.

There are two main approaches you can use to accomplish this. I have used either of these approaches (or sometimes a mix of both) many times when coming out.

The first is to try to start a conversation about the nature of sexual attraction. You can explain how people seem naturally attracted to certain kinds of people and characteristics, and that what these kinds of people and characteristics are is not really something we can control. You can use different sexual orientations as an example. You can ask why some people only find the opposite sex attractive (heterosexuals), why others only find the same sex attractive (homosexuals), and why some find both sexes attractive (bisexuals). If the person you’re coming out to are themselves homosexual or bisexual, you can pose the question to them directly (why they have that attraction), though please be respectful in doing so.

You can then ask them if they believe such attractions can be altered, if we can control them in some way. It is important to try to have a two-way conversation about this rather than simply telling them how you see it. Slowly, you can work your way up to connecting the topic to yourself; explain how you yourself have an attraction that you never really chose to have or have any control over, and that your attraction just so happens to be to minors. Hopefully the prior conversation will help them understand that your attraction is not some kind of life choice that you adopted, but something that has always been a part of you and that you have simply had to live with it.

The second approach I tend to use is to describe in detail my own discovery of my attraction. You can start from the very beginning and talk about how you slowly came to realize you have a certain attraction that’s different from most people. If you’re an exclusive MAP like me, you can explain how you noticed that you did not find adults attractive, and slowly came to realize that you were attracted to minors. You can also talk about the emotions you felt as you discovered this, what you believe it could have meant. A good example of this approach can be found on this very website, as I have written about my own self-discovery in my essay, “Growing Up a MAP.” You can use this essay as a model for your own description of your self-discovery, if you find it applicable. Of course, this will depend on each individual MAP and their own particular experience. Depending on how exactly you realized you were attracted to minors, this approach may or may not facilitate your discussion. Everyone is different.

You do not necessarily have to pick one approach and stick with it throughout. You can mix these strategies as you see fit. You may start with one approach and end up in the other. It’s really going to depend a lot on you as an individual and the person you’re talking to. You may even find an entirely different approach to be more suitable for you or the person you’re talking to, but I mention these based on my own experiences.

After Coming Out

Now, once the cat is out of the bag, it is imperative to establish that being attracted to minors is not the same as having a desire to harm them, as many people believe that being a MAP necessarily means having an uncontrollable urge to sexually assault a minor. This is not the case for the majority of MAPs. You can make analogies with other kinds of sexualities to help illustrate this point.

For example, you can explain that if a straight man sees a woman he finds attractive on the street, that does not necessarily mean that that man will then have an urge to sexually assault that woman. It works similarly for MAPs in that if a MAP sees a minor they find attractive, it does not mean that they will lose self-control and attempt to do something harmful to that minor. It is important to make this point clear: that you are attracted to minors, not abuse.

With all this out of the way, it’s quite possible this person will have a lot of questions, questions about this attraction, about you, about what it could mean, about what can be done about it, about how you came to realize it, etc. You will want to try to inform them as best you can about this attraction as well as address any misconceptions they may have.

For this, it is ideal for you yourself to be properly informed about how this attraction works and be familiar with its associated terms. My own essays may provide a good starting point for that, especially “Misunderstandings and Attitudes Surrounding Pedophilia / Minor Attraction,” which contains some basic explanations about what a MAP is as well as related terminology. It also addresses some common misconceptions. However, I do also recommend going beyond my essays and doing some research yourself. Ask other MAPs, consult other sources, arm yourself with knowledge.

Hopefully, that knowledge can help you address the questions and concerns of the person you decided to come out to. Explain things with patience and do not delve into too much detail if it is not necessary. Remember that for this person, all of this will most likely be new and they will already be processing a lot of information. If you find that it helps, you can suggest for them to read articles/websites—such as my own or ones you have found—to learn about it at their own pace, but only do this if they’re interested in looking that much into it. Not everyone will be interested in learning everything there is to know about MAPs, especially not on the first day. What’s more important is to explain the things that will most help them understand your own situation.

You should take care not to overwhelm this person with too much information. You do not need to explain in detail all four of the MAP-related chronophilias (nepiophilia, pedophilia, hebephilia, and ephebophilia), for example, just the one(s) you have yourself as well as pedophilia if you do not have that chronophilia yourself, since that will be the word that they have most likely heard before but not necessarily understand. If they ask about therapy or “getting help,” you can explain what that means for a MAP, that it can only help you come to terms with it, not get rid of it. If they ask what the difference between a MAP and a pedophile is, and you think giving the full explanation will be too much information, you can summarize it in the most simple terms by saying that a pedophile is a “type” of MAP. Additionally, I highly recommend not to discuss anything related to anti-/pro-/neutral-contact MAPs, at least not on the first day, as that is another very complicated topic that can stir the conversation away from your coming out.

Explaining all this may be a multi-day process, since, as mentioned, you do not want to overwhelm them with too much details in one go. You should also remember to only elaborate if they’re truly interested in learning that much. If they’re satisfied with the basic explanation you’ve given them, I recommend not to insist on going more in-depth about the topic unless they want to. There is no need to give them the impression that you are trying to fill their head with excessive surplus information. You should consider leaving certain topics for another day.

After at least a day has passed, be sure to talk to this person. Assess how they are taking in this revelation and how well they understand it, and let them know that they are free to ask you any questions. Be sure not to press the subject too much if you see that it makes them uncomfortable or if they are simply not interested, but if they do show a genuine curiosity to learn more, you can further elaborate on more specific subjects regarding MAPs. You may even consider referring them to informative articles or videos you have found if they are interested in reading about it.

Be Brave

This will all admittedly be a rather daunting process for you, but hopefully, if that person is understanding and you explain it well enough, you will be overcome with relief, and you will find a newfound trust for them. Remember that every person is different, and depending on who you or the person you’re coming out to are, as well as your specific circumstances, the advice outlined here may or may not be applicable. Take these suggestions to heart, but also be flexible and prudent.

If you do decide to go forward with this, I hope that everything goes well and that your bond with this person grows stronger than ever. Remember that it’s alright if you deem the risks too high or if you determine that the person in question will not receive it well. Either way, I commend your bravery, and hope that my advice here has been helpful.

O Porquê da Comunidade MAP

MAPness em português

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Por shocu
Telegram: @shocu7

A imagem a seguir exemplifica perfeitamente a razão pela qual há uma comunidade MAP. Sintetiza o pesadelo que MAPs jovens têm que sofrer ao descobrirem a sua atração. Presenta a hostilidade e o assédio que temos que encarar em virtude da nossa mera existência:

Eis uma tradução do conteúdo da imagem:

[Tweet de cindy]

cindy: “É por isso que a comunidade MAP no Twitter é importante. Eis um MAP de 16 anos que foi vítima de abuso sexual infantil. Nunca fez mal a ninguém, só nasceu com uma atração que não pode mudar. Não devia ver a sua própria mãe lhe desejar a morte. É por isso que o ódio deve acabar. Isso não está certo.”

[Capturas de tela das mensagens diretas da cindy]

[Imagem 1]

Rapaz: “hein… ajuda”

cindy: “ajuda?”

Rapaz: “estou aterrorizado… o meu coração tá batendo… tenho tanto medo… / entro no twitter para ver os meus artistas favoritos… e… todos eles estão falando coisas horríveis sobre… nós… / me senti como… um alvo… como se me estivessem pregando numa cruz como jesus…”

cindy: “oh, querido sinto muito ouvir isso :<”

Rapaz: “procurei em todo lugar para encontrar ALGUÉM como eu”

[Imagem 2]

cindy: “do que tem medo?”

Rapaz: “da minha família inteira… / de todo mundo ao meu redor… / um dia estava com minha mãe e ela estava no facebook… ela viu uma foto dum cachorro que estava recebendo uma injeção letal… a imagem dizia / ‘nós abatemos cachorros sem salvação… devíamos fazer igual para pedófilos’ / ela compartilhou na sua página e mandou para todo mundo… inclusive para mim / ela não sabe… / se soubesse… eu estaria num manicômio”

[Imagem 3]

Rapaz: “se soubesse… eu estaria num manicômio”

cindy: “Sei o difícil que pode ser isso / é horrível que as pessoas possam falar de como nos matar tão livremente / os humanos podem ser capazes de comportamentos verdadeiramente horripilantes / mas você deve se lembrar de onde vem tudo isso / do medo / tua mãe não está pensando em você quando diz ‘pedófilos’ / ela está pensando num homem gordo e careca de meia-idade fazendo coisas indescritíveis a VOCÊ / o ódio dela na verdade vem do seu amor por VOCÊ / sei que é difícil vê-lo desse jeito, mas é a verdade.”

[Respostas ao tweet de cindy]

Jake: “Pobre mãe, ninguém merece ter um filho pedófilo”

Tard Destroyers Inc©: “puxa deviam colocá-lo num hospital psiquiátrico, isso não está certo, procure ajuda DE IMEDIATO crianças não podem consentir seu pedófilo, os dois de vocês deviam receber uma espingardada no cérebro”

Scabby_Cat: “Melhor deixar pedófilos/maps morrer do que deixá-los abusarem de crianças e traumatizarem-nas para sempre. Desculpa, mas não me importo”

🔪🩸🌹: “golpeia sua cabeça com uma porra de tijolo e faça-o sofrer”

WiseAurelius: “a única maneira de acabar com essa atração ‘que não pode mudar’ é espancá-lo até tirá-la. Vítima de abuso sexual ou não, isso não é desculpa para se comportar de forma imoral. Pare de defender algo tão repugnante como isso seu doente de merda.”

bratmobile: “a mãe dele fez uma boas observações”

MarioX128: “vai se matar ou eu irei te matar / Fico tão feliz que molestaram ele, não é uma pessoa”

Linnie: “NOJENTOS. VOCÊ. E. AQUELES. COMO. VOCÊ. SÃO. NOJENTOS. ENTENDEU? PERTURBADORES, NOJENTOS.”

Dreadeye19616: “Isso é hilário pra porra espero que sua mãe o estrangule enquanto durma lmao olha que bicha”

[Fim da tradução da imagem]

Um Garoto Assustado e Confuso

Este rapaz de 16 anos tem medo e está confuso. Ele deu-se conta de que pode estar atraído por menores e está assustado pelas implicações. Além disso, essa imagem demostra a desesperança que um MAP pode sentir ao descobrir sua atração, pois todo lugar para onde olha, só encontra ódio.

Começa com as pessoas que admira. Os seus artistas favoritos estão dizendo coisas horríveis sobre pessoas como ele, e isso o faz sentir odiado e atacado por pessoas que respeita. Sua mãe compartilha e gosta duma mensagem em Facebook sobre fazer dormir pessoas atraídas por menores e a manda para ele. Ela não se dá conta de que mandou essa mensagem para uma dessas pessoas atraídas por menores: o seu filho. Não se dá conta de que está desejando a morte a seu próprio filho na frente dele.

As pessoas frequentemente presumem que ninguém próximo deles poderia ser um MAP. Veem tais pessoas como algo “embaixo deles”, como pessoas com quem nunca se relacionariam em primeiro lugar. Mas a realidade é que qualquer um poder ser um MAP. Não depende do estilo de vida ou de como se é criado. Quando se fala de matar ou torturar MAPs, as pessoas fariam bem em lembrar que isso também pode incluir amigos próximos, parentes ou até os próprios filhos, e o uso dessa linguagem só contribui à ansiedade e à desesperança deles. Não ajuda um MAP em nada com sua situação saber que até sua própria mãe o quer morto simplesmente por ter nascido. Isso só acrescentará sua confusão e seu medo, e o desencorajará de falar disso com alguém, o que permitirá que essa confusão e esse medo se acumulem com o tempo. Não poder recorrer àqueles mais próximos para apoio leva um MAP a se sentir sozinho e sem esperança, e é uma das razões principais pela qual pessoas com essa atração muitas vezes desenvolvem uma depressão que lamentavelmente acaba levando muitos ao suicídio. Além do mais, ficam com demasiado medo para falar do tema.

Eles não podem recorrer às suas próprias famílias para apoio, e tudo isso pode fazê-los sentir que tornar-se monstros é inevitável. Esse rapaz está tentando desesperadamente procurar alguém como ele porque não tem nenhum outro lugar onde ir.

Agora imaginem esse rapaz buscando na Internet para ver se há alguém em alguma parte que o possa ajudar, e fica exposto a isto. Vê Jake falando que sua mãe não o merece. Depois vê Tard Destroyers Inc© dizendo que ele deveria ser colocado num hospital psiquiátrico, e o acusa de crer que as crianças podem consentir embora o rapaz nunca ter dito tal coisa (estar atraído por menores não significa necessariamente que se pense que não há problema nenhum com fazer sexo com crianças, e também ignora o fato de que o rapaz em questão é mesmo um menor). Também declara que esse rapaz confuso de 16 anos deveria receber um tiro na cabeça. Agora o rapaz vê Scabby_Cat presumindo que ele acabará abusando duma criança sem importar o que faça, sem importar suas ações. Por outro lado, o usuários com o nome “🔪🩸🌹” deseja matar esse jovem com um tijolo e fazê-lo sofrer.

WiseAurelius diz que os seus pais deveriam espancá-lo para “curar” sua atração sexual, algo que evidentemente só serviria para traumatizá-lo. Também o acusa de “agir de forma imoral”, apesar de que esse rapaz não fez nada além de existir. As pessoas não podem escolher sua atração, e sugerir que alguém age duma maneira imoral simplesmente por ser um MAP pressupõe que as pessoas podem ser imorais por fatores fora de seu controle e que não podem fazer nada a respeito. As aspas que usa WiseAurelius na frase “que não pode mudar” sugere que esta pessoa acredita que uma atração sexual “não desejada” pode ser simplesmente alterada, o que insinua que pessoas com atrações não normativas deveriam recorrer a algo como a terapia de reorientação sexual para “consertá-lo”, algo que tem mostrado ser uma e outra vez uma prática infrutífera que apenas deixa “pacientes” com danos psicológicos. Ainda por cima, também chama a existência desse rapaz de “repugnante”.

bratmobile apenas concorda com a mãe, o que dá a entender que esta pessoa gostaria de sujeitar esse rapaz de 16 anos à eutanásia só por existir. Perpetua tudo o supradito.

MarioX128 encoraja o garoto a se suicidar e o ameaça com assassiná-lo. Além do mais, esta pessoa também diz o que é possivelmente o mais hipócrita em toda essa conversa: que esta vítima de abuso mereceu ser molestado. Esse comentário é notável porque mostra como muita da hostilidade contra nós não é impelida por uma preocupação genuína por proteger crianças do abuso, mas por um simples ódio contra nós, sem importar o que façamos ou o que sejamos. Se não fosse o caso, então o que esta pessoa está a alegar é que crianças deveriam ser protegidas do abuso sexual a não ser que “o mereçam”, e esses o merecem basicamente por terem nascido.

Linnie simplesmente chama os MAPs de nojentos por algo que não podem controlar, por algo inato e imutável. Dreadeye19616, por sua vez, acha engraçado a miséria e o abuso desse menor, e deleita-se ao pensar na mãe desse rapaz a estrangular o seu próprio filho.

Imaginem o que ler tudo isso faz a um garoto de 16 anos, sobretudo quando já fica tão confuso do que poderia significar a sua atração.

O que Impele a Comunidade MAP

Essa imagem ilustra a razão pela qual escrevo estes ensaios, a razão pela qual existe uma comunidade MAP. O que está vivendo esse rapaz é muito comum entre os MAPs. Lembro-me da confusão e da ansiedade que sofri na minha adolescência. O fato de que para onde quer que olhasse só podia encontrar esses tipos de comentários odiosos fez me sentir desamparado, como se estivesse condenado ao ostracismo sem importar o que fizesse. Esse rapaz está passando por algo semelhante. Está descobrindo a sua própria sexualidade e está extremamente confuso. Ele teme sua própria mãe e procura desesperadamente na Internet por alguém que o possa ajudar, mas o que encontra é tudo menos isso: só pessoas que estão supostamente tentando proteger menores ao desejarem morte e miséria a um menor.

O que tem me impelido a escrever estes ensaios é um desejo para que MAPs jovens não tenham que passar por esse pesadelo pelo pecado de existir. Sofri-o na minha adolescência, e não quero que mais ninguém tenha que viver por isso. Quero que MAPs possam entender a sua própria atração e não se sentir como se estivessem condenados. Quero que adolescentes como esse possam falar com os seus familiares e amigos próximos sem se sentir como se suas vidas fossem acabar. Quero que pessoas que apenas estão descobrindo que têm essa atração tenham recursos disponíveis que possam os ajudar a entenderem o que é e o que não é isto, que tenham pessoas com quem possam falar, quem possam ajudá-los a entender que ter essa atração não quer dizer que estejam condenados a serem abusadores.

Eis a razão pela qual a comunidade MAP persiste tanto no seu ativismo. Nós queremos lutar contra a desinformação, queremos mostrar para MAPs que não estão condenados a serem criminosos, que sua atração não os define moralmente. E mais concretamente, queremos que MAPs jovens como esse não se sintam tão sozinhos.

La razón por la que existe la comunidad MAP

MAPness en español

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Por shocu
Telegram: @shocu7

La siguiente imagen ilustra perfectamente el porqué de la existencia de la comunidad MAP. Sintetiza la pesadilla por la que los MAP jóvenes tienen que sufrir al descubrir su atracción. Presenta la hostilidad y el acoso que tenemos que afrontar en virtud de nuestra mera existencia.

A continuación se presentará una traducción del contenido de la imagen:

[Tweet de cindy]

cindy: “Es por esto que la comunidad MAP en twitter es importante. Esto es un MAP de 16 años que fue víctima de abuso sexual en su infancia. Nunca le ha hecho daño a nadie, solo nació con una atracción que no puede cambiar. No debería ver a su propia madre desearle la muerte. Es por esto que el odio debe acabar. Esto no está bien”.

[Capturas de pantalla de los mensajes directos de cindy]

[Imagen 1]

Muchacho: “esto… ayuda”.

cindy: “ayuda?”.

Muchacho: “estoy aterrorizado… siento el corazon palpitando… tengo tanto miedo / me meto en twitter para ver a mis artistas favoritos… y… todos ellos estan diciendo cosas horribles sobre… nosotros… / me hizo sentir tan… atacado… como si me estuvieran clavando a la cruz como a jesus…”.

cindy: “ay cariño siento tanto oír eso :<”.

Muchacho: “busqué por todas partes para encontrar a ALGUIEN como yo”.

[Imagen 2]

cindy: “a qué es a lo que le tienes miedo?”.

Muchacho: “a mi familia entera… / a todos que me rodean… / un dia estaba con mi mama y ella estaba en facebook… vio una foto de un perro que estaba recibiendo una inyeccion letal… la imagen decia / ‘si ponemos a perros sin salvacion a dormir… deberiamos hacer lo mismos para pedofilos’ / ella lo compartio en su pagina y se lo envio a todo el mundo… incluso a mi / no lo sabe… / si lo supiera… yo estaria en un manicomio”.

[Imagen 3]

Muchacho: “si lo supiera… yo estaria en un manicomio”.

cindy: “Sé lo difícil que puede ser / es horrible que la gente pueda hablar sobre cómo matarnos tan libremente / los seres humanos son capaces de comportamientos verdaderamente horripilantes / pero debes recordar de dónde viene todo eso / del miedo / tu mamá no está pensando en ti cuando dice ‘pedófilos’ / está pensando en un hombre gordo y calvo de mediana edad haciéndote cosas innombrables a TI / su odio en realidad viene de su amor por TI / sé que es difícil verlo de esa manera, pero es la verdad”.

[Respuestas al tweet de cindy]

Jake: “Pobre madre, nadie se merece un niño pedófilo”.

Tard Destroyers Inc©: “mano deberian meterlo en un hospital psiquiatrico, eso no esta bien, busca ayuda DE INMEDIATO los niños no pueden consentir pedofilo, ambos de ustedes deberian recibir un escopetazo al cerebro”.

Scabby_Cat: “Es mejor que los pedófilo/map mueran en vez de dejarlos a que abusen de niños y que los traumaticen para siempre. Lo siento, pero no me importa”.

🔪🩸🌹: “golpeale la cabeza con un puto ladrillo y hazlo sufrir”.

WiseAurelius: “la única manera de acabar con esa atracción que ‘no puede cambiar’ es que le caigan a puños hasta sacársela. Ser víctima de abuso sexual no es excusa para actuar de manera inmoral. Deja de defender algo tan repugnante como esto pedazo de mierda enfermo”.

bratmobile: “su mamá hizo unas buenas observaciones”.

MarioX128: “mátate o te mato yo / Me alegra tanto que lo hayan violado, no es una persona”.

Linnie: “ASCO. TÚ. Y. AQUELLOS. COMO. TÚ. DAN. ASCO. ¿LO ENTIENDES? PERTURBADOR, ASCO”.

Dreadeye19616: “Pero que gracia me da espero que su mama lo estrangule mientras duerma lmao que maricon”.

[Fin de la traducción de la imagen]

Un muchacho asustado y confundido

Este muchacho de 16 años tiene miedo y está confundido. Se ha dado cuenta de que posiblemente esté atraído por menores, y las implicaciones de eso lo tienen aterrado. Encima de eso, esta imagen demuestra lo desesperado que un MAP se puede sentir al descubrir su atracción, pues no importa hacia dónde mire, solo encuentra odio.

Empieza con aquellos a quienes admira. Sus artistas favoritos están diciendo cosas horribles sobre personas como él, lo que lo hace sentir odiado y atacado por personas que respeta. A su madre le gustó un mensaje en Facebook sobre poner a personas atraídas por menores a dormir y lo compartió con sus conocidos, incluso a él. Ella no se da cuenta de que le mandó ese mensaje a una de esas personas atraídas por menores: su hijo. No se da cuenta de que le está deseando la muerta a su hijo delante de él.

Las personas a menudo presumen que nadie cercano a ellas pueda ser un MAP. Ven semejantes personas como algo “por debajo” de ellas, como personas con quienes nunca se relacionarían en primer lugar. Pero la realidad es que cualquiera puede ser un MAP. No es algo determinado por el estilo de vida o la forma en la que uno se críe. Cuando las personas hablan de matar o torturar a los MAP, harían bien en recordar que eso puede incluir también a amigos cercanos, a familiares o incluso a sus propios hijos, y el empleo de ese tipo de lenguaje solo contribuye a la ansiedad y al sentido de desespero que sufren los MAP. No ayuda en nada a un MAP con su situación al saber que hasta su propia madre lo quiere muerto simplemente por haber nacido. Eso solo le dará más confusión y miedo, y lo disuadirá de hablar del tema con nadie, lo que permitirá que esa confusión y ese miedo se acumulen con el tiempo. El no poder recurrir a aquellos más cercanos para apoyo lleva a uno a sentirse solo y sin esperanzas, y es una de las razones principales por las que las personas con esta atracción a menudo desarrollan una depresión que desgraciadamente termina llevando a muchos al suicidio. Lo que es más, están demasiado intimidados como para hablar de ello.

No pueden recurrir a sus propias familias para apoyo, y todo eso los puede hacer sentir como si convertirse en un monstruo fuera algo inevitable. Este muchacho está intentando desesperadamente acudir a alguien como él porque no tiene adónde más ir.

Ahora imagínense a este muchacho buscando en Internet para ver si encuentra a alguien como él que lo pueda ayudar, y termina expuesto a esto. Ve a Jake diciendo que su madre no lo merece. Después ve a Tard Destroyers Inc© diciendo que deberían ponerlo en un hospital psiquiátrico, acusándolo de pensar que los niños pueden consentir a pesar del chico nunca haber hecho semejante alegación (estar atraído por menores no quiere decir necesariamente que uno piense que no hay nada malo en tener sexo con niños, y aparte ignora el hecho de que el muchacho en cuestión es también un menor). También declara que este joven confundido de 16 años debería recibir un tiro a la cabeza. Ahora el muchacho ve a Scabby_Cat presumiendo que él terminará abusando de un niño sin importar lo que haga, sin importar sus acciones. Por otra parte, el usuario con el nombre “🔪🩸🌹” desea matar a este joven con un ladrillo y hacerlo sufrir.

WiseAurelius dice que sus padres deberían caerle a puños para “curar” su atracción sexual, algo que evidentemente solo acabaría traumatizándolo. También lo acusa de “actuar de manera inmoral”, a pesar de que este muchacho no ha hecho nada aparte de existir. Las personas no pueden elegir su atracción, e insinuar que uno se comporta de manera inmoral simplemente por ser un MAP da por supuesto que las personas pueden ser inmorales por factores fuera de su control y que no pueden hacer nada al respecto. Las comillas que usa WiseAurelius en la frase “no puede cambiar” apuntan a que esta persona cree que uno puede sencillamente alterar una atracción sexual “no deseada”, lo que insinúa que personas con atracciones no normativas deberían recurrir a algo como la terapia de reorientación sexual para poder “arreglarlo”, algo que ha demostrado ser una y otra vez una práctica infructífera que solo deja a los “pacientes” con daños psicológicos. Para rematar, también califica la existencia de este muchacho de “repugnante”.

bratmobile simplemente concuerda con la madre, lo que da a entender que a esta persona le gustaría someter a este muchacho de 16 años a la eutanasia. Perpetúa todo lo discutido anteriormente.

MarioX128 incita a este muchacho a suicidarse y lo amenaza con asesinarlo. Como si fuera poco, también dice lo que es posiblemente lo más hipócrita de todas estas respuestas: que esta víctima de abuso mereció su violación. Este comentario es sobresaliente porque demuestra cómo mucha de la hostilidad contra los MAP no la impulsa una preocupación genuina por proteger a niños del abuso, sino un simple odio contra nosotros, sin importar lo que hagamos o lo que seamos. Si no fuera el caso, entonces lo que estaría alegando esta persona es que a los niños hay que protegerlos del abuso sexual a menos que “se lo merezcan”, y esos se lo merecen básicamente por haber nacido.

Linnie solo dice que los MAP dan asco por algo que no pueden controlar, por algo innato e inmutable. Por otro lado, a Dreadeye19616 le da gracia la miseria y el abuso de este menor, y se deleita al pensar en la madre de este muchacho estrangulando a su propio hijo.

Imagínense lo que leer todo esto le hace a un joven de 16 años, sobre todo cuando ya está tan confundido con lo que pudiera significar su atracción.

Lo que impulsa a la comunidad MAP

Esta imagen representa la razón por la que escribo estos ensayos, la razón por la que existe la comunidad MAP. Lo que experimenta este muchacho es muy común entre los MAP. Recuerdo la confusión y la ansiedad que sufrí en mi adolescencia cuando comencé a darme cuenta de que tenía esta atracción. El hecho de que adondequiera que miraba solo encontraba estos tipos de comentarios odiosos solo me hicieron sentir desamparado, como si estuviera destinado a ser relegado sin importar lo que hiciera. Este muchacho está pasando por algo similar. Está descubriendo su propia sexualidad y está inmensamente confundido. Teme a su propia madre y busca desesperadamente a alguien que lo pueda ayudar en línea, mas lo que encuentra es de todo menos eso: solo personas que supuestamente intentan proteger a menores al desearle muerte y miseria a un menor.

Lo que me ha impulsado a escribir estos ensayos es un deseo para que los MAP jóvenes no tengan que pasar por esta pesadilla por el pecado de existir. La sufrí en mi adolescencia, y no quiero que nadie más tenga que pasar por eso. Quiero que los MAP puedan entender su propia atracción y no sentirse como si estuvieran condenados. Quiero que adolescentes como este puedan hablar con familiares y amigos cercanos sin sentirse como si sus vidas se acabarían. Quiero que personas que apenas están descubriendo que tienen esta atracción tengan recursos disponibles que los puedan ayudar a entender lo que es y lo que no es esto, que tengan personas con quienes puedan hablar, quienes puedan ayudarlos a entender que tener esta atracción no significa que están condenados a ser abusadores.

Esta es la razón por la que la comunidad MAP persiste tanto en su activismo. Queremos luchar contra la desinformación, queremos mostrarles a los MAP que no están condenados a ser criminales, que su atracción no los define moralmente. Y más concretamente, queremos que MAP jóvenes como este no se sientan tan solos.

Why the MAP Community Exists

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By shocu
Telegram: @shocu7

The following image perfectly exemplifies just why it is that there is a MAP community. It encapsulates the nightmare young MAPs have to go through as they discover their attraction. It presents the hostility and harassment we have to face by virtue of simply existing:

For those who may be having issues viewing the above image, here is a transcript:

[Tweet from cindy]

cindy: “This is why MAP twitter is important. This is a 16yo MAP and a CSA survivor. Never hurt anyone, was just born with an attraction he can’t change. He shouldn’t have to see his own mom wish death upon him. This is why the hate needs to stop. This is not ok.”

[Screenshots of cindy’s direct messages]

[Image 1]

Boy: “yeah… help”

cindy: “help?”

Boy: “im fucking terrified… my hearts pounding… im so scared / i get on twitter to check my favorite artists… and… all of them are saying terrible things about… us… / i felt so… targeted… like i was pinned to a cross like jesus…”

cindy: “oh sweetie I’m so sorry to hear that :<”

Boy: “i scrambled to talk to SOMEONE like me”

[Image 2]

cindy: “what are you afraid of?”

Boy: “my whole family… / everyone around me… / i was with my mom one day and she was on facebook… she saw a picture of a dog getting a lethal injection… and it said / ‘we put down dogs that are mentally doomed… we should do the same to pedophiles’ / she fucking reposted it and sent it to everyone… even me / she doesn’t know… / if she did… i’d be in insane asylum”

[Image 3]

Boy: “if she did… i’d be in insane asylum”

cindy: “I know how tough that can be / it sucks that people are allowed to talk about killing us so freely / human beings are capable of some truly disgusting behavior / but you have to remember where it comes from / the fear / your mom isn’t thinking about you when she says ‘pedophiles’ / she’s thinking about some middle aged, fat, balding man doing unspeakable things to YOU / her hatred, actually comes from her love for YOU / i know it’s hard to see it that way, but it’s true”

[Replies to cindy’s tweet]

Jake: “Poor mother, no one deserves to have a kid who’s a pedo”

Tard Destroyers Inc©: “vruh they should be in a mental hospital, that is not okay, find help IMMEDIATLY children cannot consent you pedophile, both of you should be put down with a twelve gauge straight to your brain”

Scabby_Cat: “Pedos/maps are better off dead than abusing children and traumatizing them forever. Sorry not sorry”

🔪🩸🌹: “bash his head in with a goddamn brick and make him suffer”

WiseAurelius: “the only way to end that attraction he ‘can’t change’ is to beat it out of his senseless. CSA or not is not a excuse to act immoral. Stop defending something as disgusting as this you absolute sick fuck.”

bratmobile: “his mom made some points”

MarioX128: “kill yourself or I’ll murder you / I’m so happy that guy got molested, he isn’t a person”

Linnie: “DISGUSTING. YOU. AND. YOUR. KIND. ARE. DISGUSTING. GOT IT? DISTURBING, DISGUSTING”

Dreadeye19616: “That’s fucking hilarious I hope his mom strangles him to death while he sleeps lmao what a faggot”

[End of transcript]

A Scared and Confused Kid

This 16-year-old boy is scared and confused. He has come to realize that he may be attracted to minors and is frightened by the implications. What’s more, this image demonstrates how seemingly hopeless a MAP may feel upon discovering their attraction, as everywhere they turn to, they only find hate.

It starts with the people he looks up to. His favorite artists say horrible things about people like him, making him feel hated and targeted by the people he admires. His mother likes and shares a Facebook post about putting people attracted to minors to sleep, and sends it to him. She doesn’t realize she sent this message to one such minor-attracted person: her son. She doesn’t realize she is wishing death upon her son right in front of him.

People often assume no one close to them may be a MAP. They see such people as something “beneath them,” like people they would never associate with in the first place. But the reality is that anyone may be a MAP. It is not something dependent on lifestyle or on how one is raised. When people talk about killing or torturing MAPs, they’d do well to remember that that could well include close friends, relatives, or even their own children, and the use of such language only contributes to their anxiety and sense of hopelessness. Knowing that even their own mother wants them dead simply for being born will not at all help a MAP with their situation. It will only add to their confusion and fear, and will discourage them from ever bringing it up, allowing that confusion and fear to build up over time. Not being able to turn to those closest to you for support leads one to feel hopeless and alone, and is one of the main reasons people with this attraction often develop depression, which unfortunately ends up driving many to suicide. What’s more, they are too afraid to even talk about it.

They can’t turn to their own family for support, and it can all make them feel that them becoming a monster is an inevitability. This boy is desperately trying to reach out to someone like him because he has nowhere else to go.

Now imagine this boy going online to see if there’s anybody out there that can help him, and he gets exposed to this. He sees Jake saying that his mother doesn’t deserve him. Next he sees Tard Destroyers Inc© saying he should be placed in a mental hospital, accusing him of believing that children can consent despite no such statement ever being made (being attracted to minors does not necessarily mean that one believes that sex with minors is okay, not to mention that the boy in question is a minor himself). They also claim that this confused 16-year-old should be shot in the head. Now the boy sees Scabby_Cat assuming he will end up abusing a child no matter what he does, regardless of his actions. Meanwhile, the user with “🔪🩸🌹” as their name wishes to kill this young boy with a brick and make him suffer.

WiseAurelius says his parents should beat him to “cure” his sexual attraction, something that would obviously only serve to traumatize him. They also accuse him of “acting immoral,” even though this boy has done nothing but exist. People do not choose their attraction, and to suggest that one acts immorally simply for being a MAP is saying people can be immoral for factors beyond their control and that they cannot do anything about it. WiseAurelius’s use of quotation marks around “can’t change” also implies that they believe one can simply alter an “undesired” sexual attraction, insinuating that people with non-normative attractions should go to something like conversion therapy in order to “get it fixed,” something that has proven time and time again to be a fruitless practice that only serves to scar the “patient.” To top it off, they refer to the boy’s existence as “disgusting.”

bratmobile simply agrees with the boy’s mother, implying that they would like to euthanize this 16-year-old boy just for existing, perpetuating everything discussed above.

MarioX128 encourages this boy to commit suicide (suicide-baiting), and threatens him with murder. What’s more, they also state quite possibly the most hypocritical thing in this whole thread: that this abuse victim deserved to be molested. This comment is noteworthy because it captures how much of the hostility towards MAPs is fueled not out of a genuine concern to protect children from abuse, but rather out of simple hatred towards us, regardless of what we do or who we are. If it weren’t, then what this person is arguing is that children should be protected from sexual abuse except for the ones who “deserve it,” and the ones who deserve it warrant that abuse essentially for being born.

Linnie simply calls MAPs disgusting for something they cannot control, for something inborn and immutable. Dreadeye19616, meanwhile, finds this minor’s misery and abuse amusing, and delights in the thought of the boy’s own mother strangling him.

Imagine what reading all this does to a 16-year-old, especially one who’s already so confused about what their attraction means.

What Fuels the MAP Community

This image epitomizes the reason I write these essays, the reason the MAP community exists at all. This boy is experiencing something all too common among MAPs. I remember the confusion and anxiety I felt when I started to realize I had this attraction during my adolescence. The fact that everywhere I looked I could only find these types of hateful comments made me feel forlorn, like I was destined to be ostracized no matter what I did. This boy is going through a similar ordeal. He is discovering his own sexuality and is terribly confused. He fears his own mother and desperately reaches out for help online, yet what he finds is anything but help, only people supposedly trying to protect minors by wishing death and misery upon a minor.

The very thing that has fueled me to write these essays is a desire for young MAPs to not have to live through this nightmare for committing the sin of existing. I lived through it as a teen, and I want no one else to have to suffer through that. I want MAPs to be able to understand their own attraction and not feel as if they’re doomed. I want teens such as this one to be able to talk to their family members and close friends without feeling like their lives could end. I want people who are just realizing they have this attraction to have available resources that can help them understand what this is and what this isn’t, to have people they can talk to, to help them realize that having this attraction does not mean they’re doomed to be abusers.

This is the reason why the MAP community is so persistent in its activism. We want to fight misinformation, we want to show MAPs that they are not doomed to be offenders, that their attraction does not define them morally. And more to the point, we want young MAPs like this one to not feel so alone.

A Vida dum MAP

MAPness em português

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Por shocu
Telegram: @shocu7

Nasci de dois pais amorosos que até hoje sempre estiveram ao meu lado. Fui criado num ambiente multilíngue, pois tinha familiares procedentes de diferentes culturas. Aos 4 anos, o meu tio apresentou-me ao maravilhoso mundo dos videogames, uma obsessão que me seguiria até hoje. Na escola não era um estudante muito bom no início, e num ponto tive que repetir um ano inteiro. Felizmente, pude finalmente conseguir desadormecer-me e começar a me pôr em dia nos estudos. Pude até pular um ano acadêmico depois, o que me colocou novamente no nível que devia estar.

Em geral, diria que a minha infância foi relativamente ordinária. Nada particularmente excepcional. Porém, olhando para atrás agora, reconheço certos aspectos — ou “pistas”, por assim dizer — que como criança me eram invisíveis, mas que eram mesmo assim indícios de algo que marcaria uma parte fundamental da minha existência, algo que agora sei formou parte de mim desde o começo.

Primeiros Sinais

Lembro-me, talvez como aos 6 ou 7 anos, que às vezes gostava de imaginar o Young Link de The Legend of Zelda: Ocarina of Time nu. Não sabia por que naquele tempo, claro, mas por alguma razão simplesmente gostava de imaginá-lo assim. Acho que fiz o mesmo com outros meninos de outras séries de jogos/televisão. Uns anos depois, comecei a fazer o mesmo com garotos que conhecia: os imaginava nus. Não faziam nada em particular, para ser claro. Simplesmente os imaginava nus.

Em retrospecto, posso reconhecer que esses pensamentos eram só sinais do que estava por vir, mas naquele tempo, como criança, não questionava essas coisas. Eram apenas pensamentos que desfrutava por alguma razão.

Como aos 13 anos, comecei a aprender sobre o sexo, ensinado primeiro pelos meus pais e mais tarde na escola (educação sexual). Aprendi sobre a puberdade e me perguntei quando me aconteceria. Durante esse tempo, sabendo o que era agora, comecei a perceber que às vezes imaginava meninos de minha idade ou menores em situações sexuais. Pensei que era normal, pois eu mesmo ainda era um garoto. No entanto, quando cheguei à puberdade aos 14 anos, esses pensamentos tornaram-se mais intensos. Comecei a me masturbar com mais frequência, e às vezes parecia que não podia pensar em outra coisa. Suponho que não é fora do comum que adolescentes dessa idade se sintam libidinosos, pois o impulso sexual está acordando pela primeira vez. Mas teve algumas coisas que não pude deixar de notar: primeiro, ainda me sentia excitado ao imaginar garotos de minha idade ou menor em situações sexuais. Isso ainda não me preocupava muito, já que ainda o achava normal, mas o segundo que percebi foi que mulheres adultas nunca pareciam me atrair de todo. Nunca as imaginava ao me masturbar e nunca achei o corpo feminino muito chamativo. Achei isso bastante estranho. A cultura e a mídia que me rodeavam sugeriam vigorosamente que garotos como eu deveriam se babar ao ver uma fêmea. Tanto garotos de minha idade quanto homens adultos pareciam sempre estar tão obcecados por coisas como seios, e porém, no meu caso, achava seios repulsivos.

Talvez tudo isso significava que era gay? Essa ideia certamente passou pela minha cabeça, mas o problema era que também não achava homens particularmente atraentes.

Quando Reparei

Já aos 15 anos, comecei a captá-lo. Ainda imaginava garotos, mas desta vez não eram de 15 anos; imaginava garotos tão maiores quanto 14 mas tão novos quanto 9. Durante esse período na minha vida, já tinha escutado a palavra “pedofilia”, mesmo que o único que sabia baseava-se em notícias e histórias horrorosas de velhos pervertidos que abusavam insensatamente de crianças pelo próprio prazer. Estava confuso. Não sabia como interpretar tudo isso, e comecei a me preocupar bastante. A ansiedade adentrou-se, uma ansiedade que duraria até a maturidade. Não queria acreditar. Não fazia sentido. Por que teria eu semelhança alguma com aquele velho nojento na televisão? Não queria ser uma má pessoa, e não o era, mas como podia compreender tudo isso? Não parecia haver nada que pudesse fazer a respeito. Tentar forçar-me a pensar só em adultas enquanto me sentia excitado não parecia ser muito eficaz. De fato, só o fez ficar mais claro que eram só rapazes jovens que me faziam sentir assim. E também não era como se eu desfrutasse desse fato; aterrorizava-me o que podia significar tudo isso, mas não tinha nada que pudesse fazer para mudá-lo. O que era pior, tinha muito medo de falar disso com alguém. Temia como reagiriam os outros. Temia que nunca iriam querer falar comigo de novo, que me denunciariam à polícia, que a minha vida, em essência, terminaria. Naquele tempo, não entendia muito bem os aspectos legais desse tema. Tinha a impressão que simplesmente ter esses sentimentos era suficiente para constituir um crime. Também temia muito tentar procurar informações sobre isso na Internet; pensei que inclusive procurar palavras como “pedófilo” era suficiente para me meter em apuros.

Com o tempo, o medo e a ansiedade desenvolveram-se em pesadelos recorrentes. Às vezes sonhava que a minha família ou todos os meus conhecidos descobriam sobre isso e viravam contra mim em desgosto. Lembro-me dum pesadelo em particular que tive em várias ocasiões. A minha mãe, que tinha descoberto isso de algum jeito, virou-se para me olhar. Sua expressão era como a de presenciar a sequência duma massacre: indignação, vergonha, repugnância. Os seus olhos lacrimejavam, tinha o cenho tão franzido que parecia que ia partir sua cara em dois. Ela gritou para eu sair. Tentei lhe suplicar, mas ela só gritou mais forte. Ao afastar-me, vi outros familiares aparecerem: meu pai, meus avós, meus tios, meus primos, todos com a mesma expressão e todos gritando o mesmo: “Sai!” Entrei em pânico. Saí correndo pela porta da minha própria casa e fui pelas ruas. Ainda podia ouvir minha família à distância. No final, ouvi os gritos ao meu redor: “Sai!” Essa palavra, junto com uma mistura de insultos, procediam de quase todas as casas da vizinhança. As pessoas saíam de seus lares. Encontrei-me cercado. Não tinha lugar nenhum para fugir, e o mundo inteiro estava contra mim, prestes a fazer quem sabe o quê.

Fazendo Minha Própria Pesquisa

Um dia decidi por fim começar a procurar informações na Internet. No começo nem sabia bem o que procurar. Não sabia sobre termos como “MAP”, “atração por menores”, “cronofilias” nem nada disso, e a palavra “pedofilia” ainda tinha uma conotação muito negativa para mim. Contudo, procurei o que pude. No início, o que encontrei não era muito reconfortante: notícias sobre meninos molestados, discussões sobre os horrores da pedofilia e como todo pedófilo merecia a morte.

No entanto, consegui finalmente me deparar com recursos mais informativos. Li o artigo na Wikipédia sobre a pedofilia, o que me levou a artigos sobre outras cronofilias e grupos como Virtuous Pedophiles, além de outros artigos na Internet que tratavam do tema. Por fim começava a entender o que era que tinha. Não se tratava duma maldição que me predestinava a virar monstro; tratava-se duma atração que a vida me deu sem que eu fizesse nada. Não era muito dessemelhante da homossexualidade nesse sentido. Compreendi que o simples fato de ter essa atração não significava que fosse má pessoa. Claro, não estava tão bem articulado na minha cabeça naquele tempo; levou-me vários anos para processar tudo isso adequadamente. Durante todos esses anos, continuava a ter pesadelos recurrentes e problemas com a autoestima. Em certos momentos na minha vida, passaram pensamentos suicidas pela minha cabeça.

Durante minha busca, também encontrei informações sobre grupos como NAMBLA e alguns argumentos pró-contato. No início não sabia o que pensar sobre essas coisas. O conceito do consentimento de crianças não era algo no que pensava muito, apesar de ter descoberto minha atração. Eu ainda era menor, então a ideia dum relacionamento entre um menor e um adulto (ou a sexualidade infantil em geral) não era algo que ponderava muito, pois ainda estava tentando compreender a mim mesmo. Hoje em dia, mesmo que possa reconhecer que a sexualidade infantil seja mais complexa do que pensamos, interações sexuais com crianças acarretam riscos demais para elas, e não o encorajaria.

Ao pesquisar tudo isso, também aprendi sobre o shotacon (e o lolicon, mas o shotacon era mais pertinente no meu caso). Achava o conceito da pornografia animada/desenhada envolvendo personagens que eram crianças interessante. Significava uma possível forma na que alguém com essa atração pudesse satisfazer suas fantasias sexuais sem colocar crianças reais em perigo. Lembro até ter me perguntado isso antes: se existia hentai com crianças fictícias, e se algo assim podia ser considerado legal por não ser real. (Pornografia envolvendo crianças de verdade estava definitivamente fora de questão.) Tentava-me buscá-lo na Internet, mas tinha medo. Para começar, naquele tempo não compreendia muito bem a situação legal com respeito a esses desenhos ou se existiam casos de pessoas presas por possuir desenhos. Entretanto, havia outra razão pela que temia buscar essas imagens. Apesar do óbvio que era a essa altura e quanta pesquisa fizera, ainda havia uma parte de mim que não queria acreditar que tinha essa atração. Tinha medo de que se eu visse essas imagens, não teria forma de voltar atrás: já não poderia negá-lo. A resposta jazeria explicitamente diante de mim. Claro que, em retrospecto, a resposta já era óbvia, mas naquela idade era difícil aceitá-lo.

Um dia decidi simplesmente fazê-lo: busquei imagens de shotacon. E encontrei-as. O que senti ao vê-las aterrorizou-me. Tinha visto pornografia com adultos ou personagens adultos antes, e em ocasiões isso conseguia me excitar. Mas desta vez era diferente. Sentia-se mais “genuíno”. Nunca tinha me sentido dessa forma por uma imagem pornográfica. Aterrorizava-me porque, ao vê-las, simplesmente já não tinha jeito para negá-lo: estava atraído por garotos jovens.

Incerteza e Aceitação

Durante as próximas semanas, custava-me dormir. Não pude tirá-lo da mente. A ansiedade tinha começado de novo. Já não tinha dúvida, mas não sabia o que fazer. Eu ainda tinha muito medo de falar com alguém. Havia a possibilidade de ir para um terapeuta, mas tinha lido que muitos deles careciam da experiência ou do treinamento para tratar isso e que às vezes denunciavam pacientes mesmo se não fosse necessário. Devia-se a leis que incentivavam grandemente para os terapeutas informarem as autoridades sobre pacientes que considerassem “potencialmente perigosos”, com mais penalidades legais por não denunciar alguém que acabasse fazendo algo ruim que por denunciar alguém desnecessariamente.

Também me preocupava que ver o shotacon pudesse me meter em apuros, pois não tinha certeza se era legal ou não. Algumas noites no meu quarto, temia que a polícia aparecesse de repente e arrombasse a porta. Estava confuso e consternado. Lembro inclusive que tentei ver pornografia gay (com adultos) numa espécie de tentativa para fazer que gostasse disso mais. Nunca foi o mesmo. No final acabei voltando ao shotacon novamente. Consternava-me: por um lado, fazia-me sentir gratificado sexualmente, mas por outro lado, não tinha certeza se o que estava fazendo estava certo. Os pesadelos começaram a me assombrar de novo.

Porém, pouco a pouco consegui aceitar a mim mesmo e a minha atração. Segui pesquisando. Aprendi que eu era um hebéfilo, pois essa era a faixa etária que geralmente achava atraente. Também ouvi falar sobre o termo “MAP”, mas ainda não entendia muito bem o que significava. Agora tinha uma ideia mais clara sobre a legalidade do shotacon e outras imagens similares: onde moro, é geralmente legal, mesmo que ainda se considere uma “área cinzenta”. E até em lugares onde não o é, raramente se impõe essa proibição, pois as autoridades priorizam, como deveriam, crianças reais sobre desenhos. Comecei a me sentir mais à vontade comigo mesmo. Agora estava me compreendendo melhor. Sabia que essa atração não significava que um dia iria perder o controle e sentido da moralidade. Sabia que ter uma atração não era o mesmo que desejar estuprar ou fazer mal a alguém, e que tinha controle das minhas ações. Tinha aceitado que nunca poderia me livrar dessa atração, mas isso não queria dizer que não podia viver uma vida feliz e sã.

Contei isto para alguns amigos de confiança. Também consegui reunir a coragem para falar com meus pais sobre o assunto. Mesmo que falar disso foi difícil no início, já que estava revelando o que por anos aterrava-me que outros soubessem, uma vez que consegui tirar as palavras da boca, desabafar-me, para então ouvir que me entendiam e que ainda me aceitavam como era, manifestou-se um sentimento como de tirar um enorme peso de cima (guardar um segredo assim por tanto tempo acarreta uma grande carga emocional). Fez-me sentir muito melhor comigo mesmo após tudo ter transcorrido.

Também decidi visitar um terapeuta. Embora estava começando a me sentir mais à vontade comigo mesmo, ainda queria ouvir a opinião dele. Depois de duas sessões muito longas que consistiram sobretudo em explicações sobre a minha atração e alguns dos primeiros indícios da minha infância, o terapeuta determinou que eu não representava nenhum perigo para crianças, pois eu já estava muito ciente do que tinha e não mostrava intenção nenhuma de prejudicar ninguém. Também percebeu que eu aceitava a mim mesmo e que estava vivendo uma vida saudável. No final, não havia muito mais do que falar, então decidimos terminar as sessões, mais ele deixou-me saber que podia voltar e retomá-las a qualquer momento.

Preocupação com Outros MAPs

Apesar do meu conforto recém-descoberto, uma coisa que ainda me inquietava era o fato de que não parecia haver nenhuma rede de apoio para pessoas como eu. Por muito tempo, só podia me preocupar sobre mim mesmo como MAP e como isso poderia me afetar. Agora que me sentia mais à vontade comigo mesmo, não podia evitar pensar em outras pessoas como eu que ainda tentavam aceitar isso sem ter quase ninguém com quem falar e pouca indicação de por onde começar a procurar. Com os anos, também pensei em adolescentes passando por uma experiência semelhante à que eu passei durante essa idade. Parecia-me tão injusto que MAPs jovens tivessem que sofrer toda essa ansiedade e confusão por algo inato para então ter que confrontá-lo tudo sozinhos.

Às vezes procurava discussões ou artigos sobre pessoas com essa atração e como conseguiam lidar com ela. Infelizmente, não tinha muita informação que pude encontrar, mas tinha muito conteúdo encolerizado que me fazia querer cessar a busca: a negatividade lembrava-me daqueles horríveis dias quando me sentia desamparado.

Mas tinha uma coisa que ainda me irritava bastante. Em raras ocasiões, encontrava artigos ou vídeos que tentavam falar disto, seja um MAP falando sobre a sua experiência, uma discussão sobre como ajudar essas pessoas ou uma conversa sobre o estigma que existe em torno desse tópico. Cada vez que olhava as respostas a esses artigos/vídeos, via pessoas reagindo duma maneira desaprazível. Diziam que esses artigos/vídeos estavam “normalizando” o abuso sexual infantil, que estavam defendendo monstros irredimíveis, que essas pessoas mereciam a morte ao invés de ajuda. A tudo isso, ficava me perguntando se essas pessoas de verdade viram ou leram o mesmo que eu. Achava francamente perturbador como as pessoas reagiam duma maneira tão odiosa àqueles que tentavam desesperadamente se entender e que procuravam ajuda. Esses comentários excretavam negatividade. Comparavam isso com defender assassinos, insultavam os autores e exprimiam sua incredulidade de que uma pessoa com essa atração pudesse ser alguma outra coisa além dum monstro obcecado com estuprar. Tudo isso me enojava. Irritava-me tanto que pessoas como eu não pudessem sequer procurar ajuda e tentar ser seres humanos decentes embora sua atração sem serem expostas a puro ódio e repulsa. Essa atitude não faz nada para proteger crianças do abuso. Na verdade, pode se argumentar que contribui para o oposto: leva pessoas vulneráveis à beira do isolamento e desespero, o que, para alguns, pode conduzir a ações lamentáveis. Além disso, essa abordagem de tratar com o abuso apenas após ser tarde demais ao invés de buscar maneiras de impedi-lo mal protege ninguém. Se quisermos conservar alguma esperança de minimizar o abuso sexual infantil tanto quanto possível, é fundamental que se entenda adequadamente com que se está lidando.

Lembro-me dum vídeo de YouTube. Não lembro do título ou a pessoa que o fez, mas lembro que tinha um homem jovem na câmara reagindo a várias coisas que encontrava na Internet. Num ponto no vídeo, ele encontrou o que parecia ser um fórum de psicologia no qual usuários falavam sobre problemas psicológicos que encaravam para receber, possivelmente, comentários dum profissional ou pelo menos de outros usuários do fórum. Ele tinha encontrado uma mensagem de alguém que temia que pudesse ser pedófilo. Dizia que ele estava tendo pensamentos sexuais sobre crianças e que não sabia o que fazer. Tinha a esperança de que alguém nesse fórum pudesse lhe ajudar.

A isto, o homem do vídeo de YouTube disse algo como “Pois, talvez você poderia começar por deixar de ser um pedaço de merda”, no tom mais natural. Fiquei muito zangado. Aqui tinha alguém que estava descobrindo isso sobre si mesmo e que procurava ajuda tanto para entender o que tinha quanto por medo de que pudesse significar que poderia se tornar estuprador de crianças, e este homem simplesmente lhe diz para “não ser um pedaço de merda”, como se fosse sua escolha ter essa atração, como se toda essa questão se pudesse resolver apenas com “deixar” de estar atraído por menores, como se ter essa atração não escolhida fosse suficiente para considerá-lo um “pedaço de merda”, como se ele fosse uma má pessoa simplesmente por pedir ajuda. Não pude continuar assistindo o vídeo depois disso.

Nasce “shocu”

Já adulto e formado na universidade, comecei a assistir dois podcasts no YouTube: MAPs IRL e Journeys with MAPs and Legends (agora intitulado A MAPs Journey). Comecei a aprender mais e mais sobre a comunidade MAP: aprendi sobre todos os termos relacionados e sobre todas as pessoas maravilhosas (tanto atraídos por menores quanto não) que perseveravam ante toda a hostilidade para poder ajudar outros MAPs. Inclusive comecei a conhecer outros MAPs na Internet. Porém, a hostilidade constante que presenciava dirigida a pessoas como eu ainda me irritava. De fato, agora se desenvolvia em mim um desejo, um desejo que me implorava para dizer algo, para deixar todos saberem que eu, um MAP, um hebéfilo, existia, e que era um ser humano como qualquer outro. A negatividade constante que via com respeito a essa atração fazia-me sentir mais e mais aborrecido. Esse sentimento fazia com que aquele desejo supradito ficasse mais e mais forte, até que um dia decidi que já tive suficiente: o “shocu” nasceu. Criei uma conta de Twitter e fui como numa vociferação. Acabei entrando em muitas discussões com desconhecidos que talvez pude manejar melhor, mas pelo menos por fim estava deixando o mundo saber o que eu pensava.

Com o tempo decidi escrever um ensaio que explicava o que significava muitos dos termos relacionado aos MAPs, pois tinha percebido que muita da hostilidade dirigida a nós originava-se de concepções erradas e mal-entendidos sobre o que era ser um MAP. Também queria apresentar o meu argumento de que MAPs são desumanizados injustamente. Era tudo para tentar oferecer a minha perspectiva honesta como MAP para o mundo. Ao decidir como o ia publicar, optei por criar uma conta de WordPress para fazer um site onde pudesse colocar esse ensaio e também para ter um lugar disponível para qualquer ensaio futuro que escrevesse.

Durante meu tempo no Twitter, testemunhei pessoas exprimindo o seu nojo por minha existência. Ser o alvo de tal ódio às vezes impactava-me fortemente. Ver tantas pessoas tão convencidas de que era um monstro, de que era incapaz de nada bom, de que era só uma bomba-relógio, de que merecia a morte: tudo aquilo produzia em mim um desconforto profundo pela humanidade. Perturbava-me que tinha pessoas tão dispostas a demonizar aqueles que são diferentes e insistir em presumir o pior dos outros. Esse sentimento de ser odiado, especialmente quando é por algo inato, pela mera existência, é literalmente nauseante. Às vezes, sobretudo no início, sentia uma sensação vascosa no estômago. Sentia-se como se o meu corpo estivesse tentando digerir todo aquele ódio pútrido. Frequentemente precisava parar o que estava fazendo para ir ao banheiro. Inclusive agora, às vezes sinto essa sensação no estômago ao fazer login no Twitter em antecipação do que poderia estar me esperando. Apesar de tudo isso, a ideia de que a minha voz possa ser ouvida, a mudança positiva que às vezes vejo em outros MAPs, a maneira na que minhas palavras os influenciam positivamente, as vezes que vejo pessoas fazerem o esforço para aprender sobre nós e as raras ocasiões nas que conheço alguém que por fim compreende por que digo o que digo têm feito que tudo tinha valido a pena. No geral, acho que isso tem sido uma experiência positiva para mim, não apenas pela sensação de poder ajudar alguém no mundo a compreender isso ou pelo menos poder provir para outros MAPs um sentido de solidariedade, mas também porque pude me exprimir e deixar todos saberem o que eu, um MAP, penso. Tem me servido como uma espécie de desafogo emocional.

Então, aqui estou, ainda fazendo o possível para educar, ainda fazendo o possível para prestar apoio, ainda fazendo o possível para mostrar a todo mundo que sou humano, que todo MAP é humano e que deveríamos ser tratados como tal. Não sei quantas pessoas veem os meus tweets e ensaios e entendem de verdade o que tento dizer, mas seguirei escrevendo com a esperança de que em alguma parte a minha voz possa ser ouvida, ou que pelo menos outros MAPs possam ver que não estão sozinhos, que são mais do que sua atração, que são humanos.

La vida de un MAP

MAPness en español

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Por shocu
Telegram: @shocu7

Nací de dos padres amorosos que hasta el día de hoy nunca me han defraudado. Me crie en un ambiente multilingüe con familiares provenientes de diferentes culturas. A la edad de 4, mi tío me mostró por primera vez el maravilloso mundo de los videojuegos, lo cual se tornarían en una obsesión mía hasta el día de hoy. En la escuela no era muy buen estudiante al principio. En un momento dado tuve que repetir un grado completo. Por suerte, logré espabilarme y empecé a ponerme al día con mis estudios. Incluso logré saltar un grado más adelante y ponerme nuevamente al nivel que se suponía.

En general diría que tuve una niñez relativamente ordinaria, nada muy fuera de lo común. Volviendo la mirada hacia atrás, sin embargo, percibo ciertos aspectos —“pistas”, por así decirlo— que como niño me eran invisibles, mas que servían de indicio de algo que marcaría una parte fundamental de mi ser, algo que ahora sé que formó parte de mí desde el principio.

Primeros indicios

Recuerdo, quizás a eso de los 6 o 7 años, imaginarme de vez en cuando a la versión niño de Link de The Legend of Zelda: Ocarina of Time desnudo. Claro, para aquel entonces no supe por qué, pero simplemente me gustaba imaginármelo así. Estoy bastante seguro de que hice lo mismo con niños ficticios de otras series de videojuego/televisión. Unos años después, comencé a hacer lo mismo con niños que conocía: los imaginaba desnudos. No hacían nada en particular, para estar claro. Simplemente los imaginaba desnudos.

En retrospectiva, reconozco que estos pensamientos eran solo indicios de lo que estaba por venir, pero como niño no cuestionaba estas cosas: eran simplemente pensamientos que disfrutaba por alguna razón.

Como a los 13 años, comencé a aprender sobre el sexo. Primero me lo enseñaron mis padres y luego lo aprendí en la escuela (educación sexual). Aprendí sobre la pubertad y me pregunté cuándo me tocaría a mí pasar por ella. Ya para entonces, sabiendo lo que era, comencé a notar que a veces me imaginaba a jóvenes de mi edad o menor en situaciones sexuales. Supuse que era normal, ya que yo mismo era niño todavía. No obstante, cuando llegué a la pubertad a los 14, estos pensamientos se volvieron más intensos. Comencé a masturbarme con más frecuencia, y a veces parecía que no podía pensar en otra cosa. Supongo que no es fuera de lo común que un adolescente de esa edad se sienta libidinoso, pues el impulso sexual se está despertando por primera vez. Mas hubo unas cosas que no podía evitar notar: primero, todavía me excitaba imaginarme a muchachos de mi edad o menor en situaciones sexuales. Esto aún no me preocupaba mucho, pues todavía suponía que era normal, pero lo segundo que noté era que las mujeres adultas no me atraían en lo absoluto. Nunca me las imaginaba al masturbarme y nunca encontré el cuerpo femenino muy llamativo. Esto me parecía extraño. La cultura en la que vivía y los medios que me rodeaban sugerían encarecidamente que muchachos como yo deberían estar babeándose al ver una fémina. Tanto otros muchachos de mi edad como hombres adultos siempre parecían estar tan fascinados con cosas como los senos, y sin embargo, a mí los senos me parecían repulsivos.

¿Quizás todo esto significaba que era gay? Ciertamente lo pensé, pero el problema es que a los hombres tampoco los encontraba particularmente atractivos.

Cuando me percaté

Al llegar a los 15, empecé a caer en cuenta. Todavía me estaba imaginando a muchachos, pero esta vez no eran de 15 años. Me imaginaba a niños tan mayores como 14 pero tan jóvenes como 9. Ya para este punto había escuchado la palabra “pedofilia”, aunque lo único que sabía estaba basado en noticias e historias horrorosas sobre viejos pervertidos que abusaban insensatamente a niños para su propio placer. Estaba confundido. No sabía cómo interpretar todo esto. Comencé a preocuparme bastante. Entonces me entró la ansiedad, una ansiedad que me duraría hasta la adultez. No me lo quería creer. No tenía sentido. ¿Por qué iba yo a tener semejanza alguna que aquel viejo asqueroso de la televisión? No quería ser mala persona, y no lo era, pero ¿qué se suponía que hiciera con este entendimiento? Y no parecía haber nada que pudiera hacer al respecto. Intentar a obligarme a pensar en solo adultos cuando me sentía excitado no parecía ser muy efectivo. De hecho, solo lo hacía quedar más claro que eran solo los muchachos jóvenes que me hacían sentir así. Y tampoco era que disfrutara de este hecho. Estaba aterrorizado de lo que todo esto pudiera significar, y sin embargo no había nada que pudiera hacer para cambiarlo. Y lo que era peor: tenía demasiado miedo como para decírselo a nadie. Temía la reacción que causaría. Temía que nunca me volverían a hablar, que me denunciarían a la policía, que mi vida, en esencia, terminaría. Para entonces, no entendía muy bien el aspecto legal de todo esto. Tenía la impresión de que simplemente tener estos sentimientos ya constituía un delito. También tenía demasiado miedo como para buscar información sobre esto en Internet; pensaba que con solo buscar palabras como “pedófilo” ya me podría meter en problemas.

Con el tiempo, el miedo y la ansiedad se convirtieron en pesadillas recurrentes. A veces soñaba que mi familia o todos mis conocidos se enteraban y se volvían en mi contra. Recuerdo una pesadilla en particular que tuve en varias ocasiones. Mi madre, que de algún modo se enteró de esto, se volteó para mirarme, su expresión como la de ver el resultado de una masacre: indignación, vergüenza, repugnancia. Tenía los ojos llorosos y el ceño tan fruncido que parecía que iba a partirle la cara en dos. Me mandó a gritos a que me largara. Intenté suplicarle, pero ella solo me gritó más fuerte. Al dar unos pasos atrás, vi a otros familiares aparecer: mi padre, mis abuelos, mis tíos, mis primos, todos con la misma expresión y todos gritando lo mismo: “¡Vete!”. Entré en pánico. Salí corriendo por la puerta de mi propia casa y seguí por las calles. Aún podía escuchar a mi familia a la distancia. Al final, los gritos me rodeaban: “¡Vete!”. Esa palabra, acompañada de un fárrago de insultos, venía de casi todas las casas en la vecindad. La gente salía de sus casas. Me encontré rodeado. No tenía adónde huir, y el mundo entero estaba en mi contra, listos para hacer quién sabe qué.

Informándome

Un día decidí por fin comenzar a buscar información en línea. Al principio no estaba ni seguro de lo que debía buscar. No conocía los términos “MAP”, “atracción por menores”, “cronofilias” o nada de eso, y la palabra “pedófilo” todavía poseía una connotación muy negativa en mi mente. Aun así, busqué lo que pude. Lo que encontré al principio no era muy reconfortante: noticias sobre niños violados, discursos sobre las atrocidades de la pedofilia y cómo todos los pedófilos merecían la muerte.

Sin embargo, logré finalmente toparme con unos recursos más informativos. Leí el artículo en Wikipedia sobre la pedofilia, el cual me llevó a artículos sobre otras cronofilias y sobre grupos como Virtuous Pedophiles, además de otros artículos en Internet que trataban sobre el asunto. Por fin comenzaba a entender qué era lo que tenía. No era una maldición que me predestinaba a convertirme en monstruo; se trataba de una atracción que la vida me dio sin yo hacer nada. No era muy distinto a la homosexualidad en ese sentido. Me di cuenta de que simplemente tener esta atracción no significaba que era mala persona. Claro, no estaba tan bien articulado en mi cabeza para aquel entonces; me tomó varios años poder procesar todo esto adecuadamente. Y durante todos esos años, seguía teniendo pesadillas recurrentes y problemas con la autoestima. En ciertos momentos en mi vida, llegué a tener pensamientos suicidas.

Al buscar en Internet encontré información sobre grupos como NAMBLA y algunos argumentos procontacto. Al principio no estaba seguro de qué pensar sobre estos. El concepto del consentimiento de los niños no era algo de lo que pensaba mucho, a pesar de haber descubierto mi atracción. Yo mismo todavía era menor, así que la idea de una relación entre un niño y un adulto (o la sexualidad infantil en general) no era algo en lo que ponderaba a menudo, pues todavía intentaba descifrarme a mí mismo. Hoy día, aunque reconozco que la sexualidad infantil puede ser más compleja de lo que pensamos, las interacciones sexuales con niños conllevan demasiado riego para ellos, y no lo incentivaría.

Al investigar sobre todo esto, también aprendí sobre el shotacon (y el lolicon, aunque el shotacon era más pertinente en mi caso). La idea de pornografía animada/dibujada que involucrara a personajes niños me parecía interesante. Significaba una posible forma en la que alguien con esta atracción pudiera satisfacer sus fantasías sexuales sin tener que poner a un niño real en peligro. Recuerdo incluso habérmelo preguntado antes: si existía hentai con niños ficticios, y si algo así pudiera considerarse legal ya que no era real. (Ver pornografía que involucrara a niños de verdad era decididamente impensable.) Me tentaba buscarlo en Internet, pero tenía miedo. Para empezar, para aquel entonces no comprendía muy bien la situación legal con respecto a ese tipo de dibujo o si existían casos de personas arrestadas por poseer dibujos. No obstante, había otra razón por la que me daba miedo buscar esas imágenes. A pesar de lo evidente que era a este punto y lo mucho que ya había investigado, aún había una parte de mí que no quería creer que tenía esta atracción. Temía que si miraba esas imágenes, no habría forma de volver atrás. Sería imposible negarlo entonces; la respuesta estaría explícitamente ante mis ojos. Claro que, en retrospectiva, la respuesta ya era evidente, mas a esa edad me costaba aceptarlo.

Un día decidí simplemente hacerlo: busqué imágenes de shotacon. Y las encontré. Lo que sentí al verlas me aterrorizó. Había visto pornografía con adultos o personajes adultos, y en ocasiones eso lograba excitarme. Pero esto era diferente. Se sentía más “genuino”. Nunca me había sentido así sobre una imagen pornográfica. Me aterrorizaba porque, al verlas, ya no había manera de negarlo: me atraían los muchachos jóvenes.

Incertidumbre y aceptación

Durante las próximas semanas, me costaba dormir. No podía sacármelo de la cabeza. La ansiedad comenzó de nuevo. Ya no había duda de ello, pero no sabía qué hacer. Aún tenía demasiado miedo como para hablar de ello con nadie. Era posible ir a un terapeuta, pero había leído que muchos de ellos carecían de la experiencia o la capacitación para tratar este problema, y a veces denunciaban al paciente aunque no hubiera necesidad. Se debía a leyes que incentivaban en gran medida a los terapeutas a informar a las autoridades sobre pacientes que consideraran “potencialmente peligrosos”, con más repercusiones legales por no denunciar a alguien que sí resulta ser peligroso que por denunciar a alguien innecesariamente.

También me preocupaba que ver el shotacon pudiera meterme en problemas, pues no estaba seguro si era legal o no. Algunas noches en mi cuarto temía que la policía de repente se apareciera derribando la puerta. Estaba confundido y consternado. Recuerdo incluso que en varias ocasiones intenté ver pornografía gay (con adultos) en una especie de tentativa para hacer que me gustara más eso. Nunca era igual. Al final terminé volviendo al shotacon. Me consternaba tanto: por una parte me hacía sentir gratificado sexualmente, mas por otra parte no estaba seguro de que si lo que hacía era correcto. Las pesadillas volvieron a resurgir.

No obstante, poco a poco logré aceptarme a mí mismo y mi atracción. Seguí investigándola. Aprendí que yo era un hebéfilo, pues por lo general esa franja etaria era la que encontraba atractiva. También oí sobre el término “MAP”, aunque aún no entendía muy bien lo que significaba. Ya tenía una idea más clara sobre la legalidad del shotacon y otras imágenes similares: donde vivo, es por lo general legal, aunque aún se considera una “zona gris”. E incluso en lugares donde no lo es, rara vez se aplica esa prohibición, ya que las autoridades priorizan, como deberían, a niños reales antes que dibujos. Comencé a sentirme más a gusto conmigo mismo. Ahora estaba comprendiéndome mejor. Sabía que esta atracción no significaba que un día perdería el control y sentido de moralidad de un momento para el otro. Sabía que tener una atracción no significaba lo mismo que tener un deseo de violar o de hacerle daño a alguien, y que estaba en control de mis acciones. Había aceptado que nunca me desharía de esta atracción, pero eso no quería decir que no podía vivir una vida feliz y sana.

Se lo confesé a unos amigos de confianza. También logré encontrar el valor para hablar con mis padres sobre el asunto. Aunque al principio era difícil hablar de ello, pues estaba entregándoles la información que por años me aterraba que otros supieran, una vez que logré sacar las palabras de la boca, desahogarme, para luego escuchar que me comprendían y que todavía me aceptaban como era, se me apoderó un sentimiento como el de quitarse de sí un peso enorme (guardar un secreto como ese por tanto tiempo conlleva una gran carga emocional). Me hizo sentir mucho mejor conmigo mismo después de haber transcurrido todo.

También decidí visitar a un terapeuta. Aunque ya comenzaba a sentirme más cómodo conmigo mismo, aún me interesaba escuchar su opinión. Luego de dos sesiones muy largas que consistieron mayormente en explicaciones sobre mi atracción y los primeros indicios de mi niñez, el terapeuta determinó que en realidad no representaba ningún peligro para los niños, pues yo ya estaba muy consciente de lo que tenía y no mostraba ninguna intensión de hacerle daño a nadie. También observó que yo me aceptaba a mí mismo, y que estaba viviendo una vida sana. Al final, no hubo mucho más de qué hablar, y decidimos dejar nuestras sesiones ahí, aunque sí me dejó saber que podía volver en cualquier momento y reanudarlas.

Preocupación por otros MAP

A pesar del consuelo que hace poco adquirí, algo que todavía me inquietaba era el hecho de que no parecía haber ninguna red de apoyo para personas como yo. Por mucho tiempo, solo podía preocuparme de mí mismo como MAP y cómo eso me afectaría. Ahora que estaba más cómodo conmigo mismo, no podía evitar pensar en otras personas como yo que todavía intentaban aceptar esto sin tener casi a nadie con quien hablar y prácticamente sin indicación alguna de dónde empezar a buscar. Ya con los años, también pensé en adolescentes pasando por una experiencia similar a la que pasé yo durante esa edad. Me parecía tan injusto que MAP jóvenes tuvieran que sufrir toda esa ansiedad y confusión por algo innato para entonces tener que confrontarlo todo a solas.

A veces buscaba discusiones o artículos sobre personas con esta atracción y sobre cómo lograban lidiar con ella. Lamentablemente, no encontraba mucha información. Lo que sí encontraba era mucho contenido encolerizado que simplemente me hacía querer cesar mi búsqueda; la negatividad me recordaba a aquellos horribles días en los que me sentía desamparado.

Pero había algo en particular que aún me descontentaba bastante. En raras ocasiones, lograba encontrar artículos o videos que intentaban discutir esto, ya sea un MAP hablando sobre su experiencia, una discusión sobre cómo ayudar a estas personas o un diálogo sobre el estigma que acompaña este tema. Cada vez que veía las respuestas a estos artículos/videos, encontraba personas reaccionando de forma desapacible. Decían que estos artículos/videos estaban “normalizando” el abuso sexual infantil, que estaban defendiendo monstruos irredimibles, que estas personas merecían la muerte en vez de recibir ayuda. A todo esto, me preguntaba si estas personas en realidad vieron o leyeron lo mismo que yo. Era rotundamente perturbador cómo la gente reaccionaba de forma tan odiosa a aquellos que intentaban desesperadamente entenderse a sí mismos y que procuraban ayuda. Estos comentarios rezumaban negatividad. Lo comparaban con defender asesinos, insultaban a los autores y expresaban su incredulidad de que una persona con semejante atracción pudiera ser otra cosa que un monstruo obsesionado con violar. Me daba asco. Me enfadaba tanto que personas como yo no pudieran ni buscar ayuda ni ser seres humanos decentes a pesar de su atracción sin exponerse a puro odio y repulsión. Esa actitud no hace nada para proteger a niños del abuso. De hecho, se puede discutir que contribuye a lo opuesto: somete a personas vulnerables al aislamiento y a la desesperación, y para algunos, eso puede llevar a acciones lamentables. Además, esta metodología de tratar con el abuso solo después de que haya ocurrido en vez de buscar formas de impedirlo no hace mucho para proteger a nadie. Si hemos de conservar alguna esperanza de minimizar el abuso sexual infantil al extremo que sea posible, es fundamental que se entienda adecuadamente con qué se está tratando.

Me acuerdo de un video en YouTube. Se me escapa el título o la persona que lo hizo, pero recuerdo que era un hombre joven en cámara que reaccionaba a diferentes cosas que encontraba en Internet. En un punto en el video, el joven encontró lo que parecía ser un foro de psicología en el que los usuarios hablaban sobre problemas psicológicos que enfrentaban para recibir, posiblemente, algún comentario de un profesional o por lo menos de otros usuarios del foro. Encontró un mensaje de alguien que temía que fuera pedófilo; decía que tenía pensamientos sexuales sobre niños y que no sabía qué hacer. Tenía la esperanza de que alguien en ese foro lo pudiera ayudar.

A esto, el hombre del video de YouTube dijo algo como “Pues, quizás puedes empezar dejando de ser un pedazo de mierda,” en un tono de lo más natural. Me hizo enfadar mucho. Aquí había alguien que estaba descubriendo esto de sí mismo y que buscaba ayuda tanto para entender lo que tenía como por miedo de que pudiera significar que se convertiría en violador de niños, y este hombre simplemente le dice que “no sea un pedazo de mierda”, como si fuera su elección tener esa atracción, como si este asunto se pudiera resolver con tan solo “dejar” de estar atraído por menores, como si tener esta atracción no elegida fuera suficiente para considerarlo un “pedazo de mierda”, como si fuera una mala persona simplemente por pedir ayuda. No pude seguir viendo el video después de eso.

Nace “shocu”

Ya bien entrado en la adultez y ya graduado de la universidad, comencé a asistir a dos podcasts en YouTube: MAPs IRL y Journeys with MAPs and Legends (que ahora se llama A MAPs Journey). Empecé a aprender más y más acerca de la comunidad MAP; aprendí sobre todos los términos relacionados y sobre todas las personas maravillosas (tanto atraídas por menores como no) que perseveraban ante toda la hostilidad para poder ayudar a otros MAP. Incluso empecé a conocer a otros MAP por Internet. Sin embargo, la hostilidad constante que presenciaba hacia personas como yo todavía me irritaba. De hecho, ahora se desarrollaba en mí un deseo, un deseo que me imploraba a decir algo, a dejar a la gente saber que yo, un MAP, un hebéfilo, existía, y que era un ser humano como cualquier otro. La negatividad constante que veía sobre esta atracción cada vez me molestaba más y más. Esa molestia hacía que ese deseo susodicho creciera más y más fuerte, hasta que un día decidí que ya tuve suficiente: ahí nació “shocu”. Comencé una cuenta de Twitter y me fui como en un despotrique. Terminé metiéndome en muchas discusiones con desconocidos que quizás pude manejar mejor, pero por lo menos al fin le estaba dejando saber al mundo lo que pensaba.

Con el tiempo decidí escribir un ensayo que explicaba lo que significaban muchos de los términos relacionados con los MAP, pues había percibido que mucha de la hostilidad dirigida hacia nosotros se originaba de conceptos erróneos y malentendidos sobre lo que era ser MAP. También quería presentar mi argumento de que a los MAP se les deshumaniza de forma injusta. Era todo para intentar ofrecer mi perspectiva honesta como MAP al mundo. A la hora de decidir dónde publicarlo, opté por crear una cuenta de WordPress para crear un sitio web donde pudiera poner aquel ensayo y también tener un sitio disponible para cualquier ensayo futuro que escribiera.

Durante mi tiempo en Twitter, fui testigo de personas expresando su asco por mi existencia. Ser el blanco de semejante odio a veces me impactaba fuertemente. Ver tanta gente tan convencida de que era un monstruo, de que no era capaz de nada bueno, de que solo era una bomba de tiempo, de que merecía la muerte: todo eso producía en mí un desasosiego profundo por la humanidad. Me perturbaba pensar que hubiera gente tan dispuesta a demonizar a otros que fueran diferentes y que se insistiera tanto en presumir lo peor de los demás. Ese sentimiento de ser odiado, sobre todo cuando es por algo innato, por tu mera existencia, literalmente nausea. A veces, sobre todo al principio, sentía una sensación bascosa en el estómago. Se sentía como si mi cuerpo estuviera intentando digerir todo ese odio pútrido. A menudo necesitaba parar lo que estaba haciendo para dirigirme al baño. Incluso ahora, a veces me da esa sensación en el estómago al entrar en Twitter en anticipación de lo que me podría estar esperando. Sin embargo, a pesar de todo eso, el que mi voz pueda ser escuchada, el cambio positivo que a veces veo en otros MAP, la manera en que mis palabras influyen en ellos de forma positiva, las veces que veo personas que hacen el esfuerzo para aprender sobre nosotros y la rara ocasión en que veo a alguien que por fin comprende por qué es que digo lo que digo han hecho que todo haya valido la pena. En general, creo que esto ha sido una experiencia positiva para mí, no solo por la sensación de poder ayudar a alguien en el mundo a comprender esto o por lo menos poder proveer a otros MAP un sentido de solidaridad, mas también porque he podido expresarme y dejar a todos saber lo que yo, un MAP, pienso. Me ha servido como una especie de desahogo emocional.

Pues, aquí estoy, todavía haciendo lo posible para educar, todavía haciendo lo posible para dar apoyo, todavía haciendo lo posible para mostrarle a todo el mundo que soy humano, que todo MAP es humano y que se nos debe tratar como tal. Desconozco cuántas personas ven mis tweets y ensayos y entienden de verdad lo que intento decir, pero seguiré escribiendo con la esperanza de que en alguna parte se escuche mi voz, o que por lo menos otros MAP puedan ver que no están solos, que son más que su atracción, que son humanos.

Growing Up a MAP

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By shocu
Telegram: @shocu7

I was born to two loving parents who to this day never failed to be there for me. I was raised in a multilingual environment, as I had family members from different cultures. At age 4, my uncle introduced me to the wonderful world of video games, an obsession that would follow me to this very day. At school I was initially not a very good student, and at one point I had to repeat an entire grade. Thankfully, I was eventually able to pull myself together and actually start catching up academically. I was even able to skip a grade later, bringing me back in pace.

Overall, my childhood seemed like a relatively regular one. Nothing particularly exceptional. Looking back at it now, however, I recognize certain aspects—“clues,” if you will—that as a child were invisible to me but were nevertheless indicative of something that would mark a quintessential part of my existence, something that I now know was part of me from the very beginning.

Early Signs

I remember—possibly around the age of 6 or 7—that I sometimes liked to imagine Young Link from The Legend of Zelda: Ocarina of Time naked. I didn’t know why at the time, of course, but for some reason I simply liked picturing him like that. I’m fairly sure I did the same with boys from other games/shows. A few years later, I found myself occasionally doing the same for boys I actually knew: picturing them naked. Not doing anything in particular, to be clear—simply naked.

In retrospect, I can tell these were just early signs of what was to come, but back then, my child self didn’t really question these things. They were just thoughts I enjoyed for whatever reason.

At around age 13, I started to learn what sex was, being taught first by my parents and then a bit later at school (sex ed). I learned what puberty was and wondered when it would happen to me. Around this time, knowing what it was now, I started noticing that I would sometimes imagine kids my age or younger in sexual situations. I figured it was normal, since I myself was a kid. When I hit puberty at 14, however, these thoughts got more intense. I started masturbating more frequently, and at points I couldn’t seem to get my mind off of it. I guess it’s not too uncommon for teenagers at that age to feel libidinous, since their sex drive is just waking up for the first time, but there were a few things I couldn’t help noticing: first, I was still mostly aroused by picturing kids my age or younger in sexual situations. At this point I still didn’t feel too concerned about this, since I still figured it was normal, but the second thing I noticed was that I never seemed to find adult women attractive at all. I would never picture one when masturbating, and I’ve never found the female body particularly appealing. I found this rather odd, since the culture and media around me strongly suggested that boys like myself should be drooling over the female body. Both boys my age and adult men always seemed so fixated on things like breasts, and yet, in my case, I actually found breasts rather repulsive.

Perhaps it all meant that I was gay? The thought certainly crossed my mind, but the thing is, I wasn’t finding men particularly attractive either.

The Realization

By the time I reached 15, it was all starting to sink in. I was still imagining kids, except this time I wasn’t thinking of any 15-year-olds, but rather kids as old as 14 but as young as 9. At this point in my life, I had already heard the word “pedophilia,” though all I knew about it were news reports and horror stories about dirty old men senselessly abusing children for their own pleasure. I was confused. I didn’t know what to make of all this, and I really started to worry. Anxiety kicked in, an anxiety that lasted all the way to adulthood. I didn’t want to believe it. It didn’t make any sense to me. Why would I be anything like that creepy old man on TV? I didn’t want to be a bad person, and I wasn’t a bad person, but what was I to make of all this? And there was seemingly nothing I could do about it either. Trying to force myself to think only of adults whenever I felt aroused didn’t seem to be very effective. In fact, it only made it clearer that only kids seemed to get anything out of me. And it wasn’t like I was pleasantly enjoying that fact. I was horrified at what it could all mean, and yet there just wasn’t anything I could do to change it. What’s worse, I was too afraid to talk to anyone about it. I feared how others would react to this. I feared they’d never want to talk to me again, and that they’d call the police on me, that my life would essentially end. Back then, I didn’t quite understand the legal aspects regarding this. I was under the impression that simply having these feelings was enough to constitute a crime. I was also too scared to try to even look up information about this online, since I thought even searching for words such as “pedophile” was enough to get me in trouble.

This fear and anxiety eventually developed into recurring nightmares. Sometimes, I would dream of my family or everyone I knew finding out and turning against me in disgust. I remember one particular nightmare I had on several occasions. My mother, somehow finding out about this, turned around to face me, her expression being that of looking upon the aftermath of a massacre: indignation, shame, revulsion. Her eyes were watery, and her frown was so pronounced it seemed like it was going to split her face in two. She yelled at me to get out. I tried to plead, but she just screamed louder. As I started backing up, other family members started appearing: my father, my grandparents, my aunts and uncles, my cousins, all with the same expression and all yelling the same thing: “Get out!” I went into a panic. I ran out the door to my own house and started running through the streets, still hearing my family in the distance. Eventually, I heard it all around me: “Get out!” Those words as well as a mixture of insults came from nearly every house in the neighborhood. People were exiting their homes. I eventually found myself surrounded. I had nowhere to turn to, and the entire world was against me, ready to do who knows what.

Doing My Own Research

One day I decided to finally start looking for information online. At first I wasn’t even sure what to look for. I didn’t know the terms “MAP,” “minor attraction,” “chronophilias,” or anything like that, and the word “pedophile” still had a very negative connotation in my head. Nevertheless, I searched for what I could. At first, it wasn’t very reassuring: reports of molested children and discussions about the horrors of pedophilia, and how they all deserved death.

Eventually, however, I managed to stumble upon some more-informative resources. I read the Wikipedia article about pedophilia, which in turn lead me to articles about other chronophilias and groups such as Virtuous Pedophiles, along with some other online articles talking about the subject. I was finally beginning to understand what it was I was dealing with. What I had wasn’t some curse that predestined me to turn into a monster. This was an attraction that life had dealt for me through no action of my own. It wasn’t too dissimilar to homosexuality in that sense. I realized that simply having this attraction didn’t mean I was a bad person. Of course, it wasn’t that well articulated in my head at the time; it took me several years to properly process all of this. Throughout those years I still had recurring nightmares and self-esteem issues. At a few points in my life, I had suicidal thoughts cross my mind.

During my search I also found information regarding groups such as NAMBLA and some pro-contact arguments. I wasn’t entirely sure what to make of these at first. The concept of child consent was actually something I didn’t put too much thought into, despite discovering my attraction. I was a minor myself, so the idea of a relationship between a minor and an adult (or child sexuality in general) wasn’t something I pondered much, since I was still trying to figure myself out. These days, although I can recognize that child sexuality may be more complex than we give it credit for, sexual interactions with children is far too risky for the child, and I wouldn’t encourage it.

While researching all of this, I also learned about shotacon (and lolicon, although shotacon was more relevant to me). The concept of animated/drawn pornography involving child characters was interesting to me. It meant a potential way one with this attraction could indulge in their sexual fantasies without putting actual children at risk. I remember I had even contemplated it before: whether there existed hentai depicting fictional children, and whether something like that could be considered legal since it wasn’t real. (Pornography involving actual children was definitely out of the question for me.) I was tempted to search for it, but I was afraid. For one thing, back then I didn’t really know about the legal situation regarding such drawings or if there were cases of people getting arrested over drawings. However, there was another reason I was afraid to look it up. Despite how obvious it was at this point and how much research I had done so far, there was still a part of me that didn’t want to believe I had this attraction. I was afraid that if I looked at such images, there would essentially be no turning back: I would no longer be able to deny this about myself. The answer would explicitly lie before me. Of course, looking back now, the answer was already obvious, but my young self had trouble accepting that.

One day I decided to just go ahead and do it. I searched for shotacon. And I found it. What I felt upon seeing it terrified me. I had seen pornography involving adults or adult characters before, and it did occasionally cause some arousal in me. But this was different. It felt much more “genuine.” I hadn’t felt that way about a pornographic image before. I was terrified because, as I saw it, there was simply no way to deny it anymore: I was attracted to young boys.

Uncertainty and Acceptance

For the next few weeks, I had trouble sleeping. I couldn’t get it off of my mind. The anxiety had commenced all over again. There was no doubt about it now, but I didn’t know what to do. I was still too afraid to talk to anyone. There was the possibility of going to a therapist, but I had read that many therapists were inexperienced/untrained on the subject and would sometimes report the patient even if there was no need to. It was due to laws that heavily incentivized them to report patients they deemed “potentially dangerous,” with more legal consequences for not reporting someone who does end up doing something than for reporting them unnecessarily.

I was also uneasy about whether viewing shotacon could potentially get me in trouble, since I wasn’t sure if it was legal or not. Some nights I would be in my room fearing the police would suddenly burst through the door. I was confused and conflicted. I remember I even attempted several times to view gay porn (with adults) in some kind of attempt to get me to like that more. It was never quite the same. Eventually, I went back to looking at shotacon again. It was so conflicting: on the one hand it made me feel sexually gratified, yet on the other hand I wasn’t sure if what I was doing was right. The nightmares started haunting me again.

Little by little, however, I came to accept myself and my attraction. I continued researching it. I learned that I was a hebephile, since that was the age range I generally found attractive. I also heard about the term “MAP,” though I still didn’t quite understand what it meant. I now had a clearer picture regarding the legality of shotacon and other similar images—where I live, it’s generally legal, although still in a bit of a “gray area.” And even in places where it isn’t, it’s rarely enforced, since authorities rightly prioritize real children over drawings. I started feeling more at ease with myself. I was understanding myself better now. I knew this attraction didn’t mean I would one day suddenly lose control and sense of morality. I knew that having an attraction did not equal having a desire to rape or harm anyone, and that I was in control of my actions. I had accepted that this attraction would never go away, but that didn’t mean I couldn’t live a happy and healthy life because of it.

I came out to a few of my friends that I trusted. I also mustered the courage to tell my parents about it. Although initially talking about it was difficult, as I was handing them the information that for years I dreaded people knowing about, once I was finally able to spit it out, to get it off my chest, and then hear them understand me and still accept me for who I was, a feeling like that of lifting a massive burden off of myself manifested (keeping a secret like that for so long has its toll). It made me feel so much better about myself once everything was said and done.

I also decided to visit a therapist. Although I was starting to feel more comfortable with myself, I still wanted his opinion. After a couple of very long sessions mostly consisting of me explaining this attraction to him as well as going over some early signs from my childhood, the therapist determined that I was no real danger to children, as I was well aware of what I had and showed no intentions of harming anybody. He also saw that I was accepting of myself and was living a healthy life. Eventually, there just wasn’t much else to talk about, and we decided to end our sessions, although he let me know that I could come back and renew them anytime.

Concern for Other MAPs

Despite my newfound comfort, one thing that still made me rather uneasy was how there was seemingly no network of support for people like me. For the longest time, I was mostly only able to worry about myself as a MAP and how it would affect me. Now that I felt more comfortable with myself, I couldn’t help but think of other people like me who were still trying to come to terms with this while having next to no one they could talk to and little direction on where to start looking. As I got older, I also thought about teenagers going through a similar ordeal that I did during that age. It seemed so unfair to me that young MAPs had to go through all that anxiety and confusion over something inborn, and then confront it all alone.

On occasions I looked for discussions or articles regarding people with this attraction and how they were able to cope with it. Unfortunately, there was very little information I could find and instead a lot of incensed content that made me simply want to stop looking, as the negativity reminded me of those horrible days in which I felt forsaken.

But there was one thing that still made me rather upset. Once in a blue moon, I would find articles or videos that actually attempted to discuss this, whether it be MAPs talking about their experience, people discussing ways in which they can be helped, or a discussion about the stigma surrounding this topic. Whenever I looked at the responses for these articles/videos, I’d see people reacting in a vile manner. They’d say that these articles/videos were “normalizing” child sexual abuse, that they were defending irredeemable monsters, that these people deserved death rather than help. To all this, I was left wondering if these people even watched or read the same thing I did. It was outright disturbing to me how people would react so hatefully to those trying desperately to understand themselves and actively seeking help. These comments excreted negativity, making comparisons to defending murderers, insulting authors, and expressing disbelief that a person with such an attraction could possibly be anything other than a rape-obsessed monster. It all disgusted me. It made me outright angry that people like me could not even go out of their way to seek help and to try to be decent human beings in spite of their attraction without being exposed to nothing but pure hatred and disgust. Such an attitude does nothing to protect children from abuse. In fact, it can be argued that it contributes to the opposite: it brings vulnerable people into the brink of isolation and desperation, which, for some, may lead to regrettable actions. Also, the approach of dealing with abuse only after it’s too late instead of seeking ways to prevent it hardly protects anyone. If there is to be any hope of minimizing child sexual abuse as much as possible, it is fundamental to properly understand what it is we’re dealing with.

There was a YouTube video I remember. I can’t recall the title or the person who made it, but I remember there was a young man on camera reacting to various things he found on the web. At one point in the video, he found what seemed to be a forum about psychology in which users posted about psychological issues they faced in the hope of potentially receiving the insight of a professional or at least that of other users. He had found a post from someone fearing that he might be a pedophile, saying he had been having sexual thoughts about children and that he didn’t know what to do. He was hoping someone in that forum might be able to help him.

To this, the man in the YouTube video said something along the lines of, “Well, maybe you could start by not being a piece of shit,” in the most natural tone. I was so angry. Here was someone who had discovered this about themselves and actively sought help both to understand what he had and out of fear of that it could mean he could become a child molester, and this man simply tells him to “not be a piece of shit,” as if it were his choice to have this attraction, as if this whole issue could be solved by simply “not being” minor-attracted, as if him having this unchosen attraction was enough to make him “a piece of shit,” as if he was a bad person simply for asking someone to help him. I couldn’t continue watching at that point.

“shocu” Is Born

Now well into my adult years and already graduated from university, I started viewing two podcasts on YouTube: MAPs IRL and Journeys with MAPs and Legends (now A MAPs Journey). I started looking into the MAP community much more, learning about all the terms relating to it as well as all the wonderful people (both minor-attracted and otherwise) who persisted through all the hostility in order to help fellow MAPs. I myself even started meeting some MAPs over the Internet. However, the constant hostility I saw towards people like me still irked me. In fact, there was now an urge building up inside me: an urge that implored me to speak up, to let people know that I, a MAP, a hebephile, existed, and that I was a human being like any other. The constant negativity I saw regarding this attraction made me more and more upset. That feeling made that aforementioned urge stronger and stronger, until one day I decided I had had enough: “shocu” was born. I started a Twitter account and went into a bit of a rant. I ended up getting into a lot of arguments with strangers that perhaps I could have handled better, but at least I was finally putting my voice out there.

Eventually, I decided to write an essay explaining what many of the terms relating to MAPs meant, as I had noticed that much of the hostility towards us stemmed from misconceptions and misunderstandings regarding what being a MAP is. I also wanted to present my argument that MAPs are unjustifiably dehumanized. It was all in an attempt to offer my honest perspective as a MAP to the world. When deciding how I was going to publish it, I decided to start a WordPress account to make a website where I could put that essay as well as have a place available for any future essays I might write.

During my time on Twitter, I witnessed my fair share of people being disgusted over my existence. Being the subject of such hatred has at times had its toll on me. Seeing people so convinced that I was a monster, that I was incapable of anything good, that I was just a time bomb, that I deserved death, produced in me a profound discomfort for humanity. It disturbed that people would be so willing to demonize others who are not like them and insist on assuming the worst of people. The feeling of being hated—especially when it’s for something innate, for your mere existence—is quite literally sickening. At times, particularly when I first started, I felt a nauseating sensation in my stomach. It would feel as though my body were trying to digest all that putrid hatred. I would often need to stop what I was doing to go to the bathroom. Even now, I sometimes feel that sensation in my stomach as I log into Twitter in anticipation of what could be waiting for me. Despite all that, however, the ability to let my voice be heard, the positive change I sometimes witness in other MAPs, seeing how my words positively influence them, seeing people trying to make an effort to learn about us, and the rare occasions I see someone finally comprehend just why it is that I speak out has made it all worth it. Overall, I believe this has been positive for me, not only because of the feeling that I may be getting through to someone out there or at least providing other MAPs with a sense of solidarity, but also because I’ve been able to put my voice out there and let people know what I, a MAP, think. It has provided a sort of emotional vent for me.

So now, here I am, still trying my best to educate, still trying my best to provide support, still trying my best to show people that I am human, that all MAPs are human, and that we should be treated as such. I do not know how many people see my tweets and essays and actually understand the point I’m trying to make, but I will continue writing in the hope that somewhere out there my voice is being heard, or that at the very least other MAPs can see that they are not alone, that they are more than their attraction, that they are human.

Mal-entendidos e Atitudes com Respeita à Pedofilia / Atração por Menores

MAPness em português

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Por shocu
Telegram: @shocu7

Para muitos, a palavra “pedofilia” ou “pedófilo” evoca imagens negativas de monstros impassíveis e abuso infantil. Isso não é de surpreender, pois a maioria das pessoas tem sido exposta ao termo puramente através de representações de alguns dos piores crimes imagináveis. A mídia e a sociedade em geral têm usado consistentemente o termo “pedófilo” como sinônimo de “abusador de crianças”, “estuprador de crianças”, etc. Esse uso do termo tem levado à interpretação do pedófilo como alguém que só se importa com fazer mal, como alguém sem compaixão, como alguém que não se importa com o bem-estar das crianças, como alguém “malvado”. Essa imagem, porém, é uma enorme deturpação e um simplismo que leva a muitos mal-entendidos e muita desumanização. Embora a exploração sexual das crianças é, infelizmente, algo que sem dúvida existe, descrevê-la exclusivamente com a palavra “pedofilia” é muito impreciso, pois isso não é o que significa a palavra. De fato, tem uma falta geral de compreensão de quem são estas pessoas e uma confusão com respeito ao significado de alguns termos referentes a elas.

Portanto, antes de poder entrar numa discussão e elaboração mais aprofundada sobre o supradito, devo primeiro esclarecer os significados de certos termos, já que o mau uso deles é precisamente o que causa tanto mal-entendido quando se fala deste tópico.

O Que É “Pedofilia”? O Que São “Cronofilias”?

Comecemos pela palavra mais destacada, o termo que todo mundo já ouviu mas do qual sabe pouco: pedofilia. Como mencionado, a maioria das pessoas associa esse termo com o abuso sexual de crianças, mas na verdade não é tão simples assim. Um pedófilo é alguém atraído sexualmente por crianças pré-púberes. Aqui “pré-púbere” refere-se a crianças que ainda não chegaram à puberdade, geralmente entre as idades de 5 e 11 anos. Deve-se enfatizar a parte de “atraído sexualmente”: a pedofilia não significa abusar sexualmente de crianças (de fato, não é uma ação, quer dizer, não se pode “fazer” pedofilia). É simplesmente uma atração, uma preferência sexual. Não é muito diferente dum homem que acha seios atraentes ou até de alguém atraído pelo mesmo sexo ou pelo sexo oposto. E semelhante a adultos atraídos por outros adultos, um pedófilo não é necessariamente um abusador. É possível que seja, claro, mas o mesmo pode-se dizer de qualquer um. Estar sexualmente atraído por alguém não é o mesmo que decidir agredir sexualmente essa pessoa.

Tal como mencionado, a pedofilia é a atração por crianças pré-púberes, mas e quanto a outros grupos etários? Embora a palavra pedofilia usa-se frequentemente para se referir à atração por menores de qualquer idade, existem outros termos mais específicos, ainda que menos comuns. Por exemplo, um hebéfilo (hebefilia) é alguém atraído por menores púberes, ou seja, pré-adolescentes ou adolescentes na puberdade, geralmente entre as idades de 11 e 14 anos. Também tem os efebófilos (efebofilia), que estão atraídos por adolescentes pós-púberes (depois da puberdade), geralmente entre as idades de 15 e 17 anos. Se se trata duma atração por bebês ou meninos de muito pouca idade, isso seria nepiofilia (nepiófilos). Semelhante à pedofilia, esses termos descrevem uma atração sexual, não a ação de fazer sexo com um menor.

Todas essas “-filias” às vezes são chamadas de cronofilias: a atração por certas faixas etárias. Há mais duas cronofilias: a teleiofilia (teleiófilos), que é a atração por adultos (em outras palavras, a maioria das pessoas), e a gerontofilia (gerontófilos), que é a atração por idosos.

Note-se que essas cronofilias não necessariamente se excluem entre si. Alguém pode achar várias faixas etárias ou até tanto menores como adultos atraentes. Por exemplo, eu sou maiormente hebefílico, mas é possível que ache atraentes algumas crianças pré-púberes maiores (que tipicamente se consideraria pedofilia), assim como alguns jovens pós-púberes mais novos (que tipicamente se consideraria efebofilia).

O Que É um “MAP”?

Já que tem várias cronofilias que descrevem uma atração por menores, há muitos que optam usar um termo mais abrangente ao falar da atração por menores em geral: MAP. MAP é um acrônimo em inglês que significa minor-attracted person: pessoa atraída por menores. Alguns sites e usuários na Internet têm interpretado esse termo como um eufemismo para pedófilos, como uma maneira de “abrandá-lo” ou “dissimulá-lo”, mas isso está errado (e, novamente, baseado em suposições do que é um pedófilo). MAP é um termo geral que inclui a nepiofilia, a pedofilia, a hebefilia e a efebofilia. Portanto, MAP não é sinônimo de pedofilia, pois isso excluiria as outras cronofilias. Descrever todo tipo de atração por menores simplesmente como “pedofilia” apresenta uma imagem muito imprecisa e problemática na qual a atração por, digamos, alguém de 5 anos se vê da mesma maneira que uma atração por alguém de 17.

Existem também MAPs exclusivos e não exclusivos. Os MAPs exclusivos só acham menores atraentes, enquanto os não exclusivos podem estar atraídos tanto por menores como por adultos. Essas categorias não se devem considerar como uma divisão estrita entre dois “tipos” de MAPs, mas como uma espécie de espectro no qual um MAP pode se identificar como uma ou outra. Por outras palavras, alguém que se identifica como exclusivo ainda pode achar certos adultos atraentes em certas circunstâncias. Esses termos descrevem na maior parte quão “forte” é a preferência sexual de alguém por menores em comparação com a que tem por adultos. Os MAPs não exclusivos parecem ser mais comuns. Um MAP também pode ser heterossexual, homossexual ou bissexual. No caso da atração por menores, isso se refere à atração por garotos ou garotas (ou ambos).

De novo, um MAP não é necessariamente alguém que abusa de crianças. Alguém que abusa sexualmente de crianças se chama de estuprador de crianças. Um MAP pode ou não ser um estuprador, igual que alguém atraído por adultos pode ou não decidir abusar sexualmente de outro adulto que ache atraente. É injusto presumir que alguém queira causar dano baseado unicamente na sua preferência sexual. Além disso, os estupradores de crianças também não são necessariamente MAPs. Algumas pessoas podem decidir abusar dum menino não necessariamente por estar atraídos por ele, mas por uma miríade de outras razões, como o fato de que é fácil tirar vantagem de crianças, oportunidade, vingança, etc.

Por último, gostaria de abordar brevemente uma distinção que existe entre os MAPs. Muitos MAPs se identificam como anti-contato, enquanto outros se identificam como pró-contato. Basicamente, os MAPs pró-contato consideram que não toda interação sexual com crianças é necessariamente prejudicial, enquanto os MAPs anti-contato consideram que é invariavelmente prejudicial. Embora eu não vou aprofundar muito nesse debate, pois estaria entrando em outro tema, sinto que mesmo assim é importante salientar que até MAPs pró-contato não necessariamente se relacionam sexualmente com crianças, conquanto tenham uma opinião impopular mesmo entre muitos MAPs. Note-se igualmente que alguns MAPs não necessariamente se identificam como um ou outro, e inclusive há alguns que se identificam como neutro-contato.

As Pessoas Escolhem Ser MAPs? É “Errado” Ser um MAP?

Neste ponto é imperativo mencionar um aspecto importante que muitas pessoas não percebem: essas atrações são inatas, ou seja, ninguém escolhe ser nepiófilo, ou pedófilo, ou hebéfilo, ou efebófilo. Igual à maioria das pessoas, os MAPs descobrem sua sexualidade durante a puberdade, e não têm nenhum voto em como será essa sexualidade. Ninguém pode escolher que atração tem. Nesse sentido, não é muito dissemelhante da homossexualidade ou da bissexualidade na medida em que os homossexuais/bissexuais têm uma atração sexual (que nunca escolheram ter) extremamente estigmatizada na nossa sociedade. Pode que alguns descrevam a atração por menores como algo “errado” ou “perverso”, mas como se pode imputar moralmente alguém por algo que não pode controlar (sua atração sexual)? Seria como determinar as intenções ou a integridade moral de alguém baseado na cor da pele ou na forma do nariz.

Claro, um contra-argumento comum seria que um homossexual ou bissexual (teleiófilo) pode estar num relacionamento consensual com outro adulto, enquanto o equivalente para um MAP seria problemático para dizer o mínimo. E isso seria certo, mas é injusto presumir que a maioria dos MAPs pretende se relacionar sexualmente com crianças. MAPs não são animais salvagens que se regem por instinto; talvez tenhamos esta atração, mas isso não significa que não possamos nos controlar. Estar atraído por alguém não é o mesmo que querer fazer-lhe mal, e de fato, a maioria dos MAPs não deseja fazer mal nem a crianças nem a ninguém.

Saúde Mental

Infelizmente, dInfelizmente, devido ao estigma contra essa atração, muitos MAPs têm que suportar muita hostilidade social; são visto como monstros mesmo se não fizeram nada de errado. São considerados pessoas inerentemente más apesar de nunca terem escolhido ser MAPs. Imaginem um adolescente jovem que se dá conta de que está atraído por crianças. Agora misturem isso com as histórias horrorosas que tipicamente se escutam sobre pedófilos/MAPs. Esse adolescente sentirá que será considerado um monstro sem poder fazer nada a respeito. De fato, a falta de boas informações sobre esse tema pode até levá-lo a pensar que abusar de crianças é uma consequência inevitável da sua atração. Isso, claro, não é verdade, mas para alguém que mal está descobrindo sua sexualidade, a quem pode recorrer para poder entender isso? A quem pode recorrer para receber apoio? A vida dum MAP é em geral muito isoladora. A maioria deles não pode falar sobre o assunto com amigos próximos ou com familiares por medo de ser visto com repulsa. E como se isso não fosse suficiente, se eles tentarem procurar informações na Internet, podem se deparar numa mistura de boas informações e hostilidade flagrante. Talvez possam encontrar algumas explicações básicas sobre o que é e o que não é a atração por menores. Talvez até encontrem vídeos ou artigos como este, que tentam representá-los de maneira positiva pelo que são: humanos. Entretanto, o mais provável é que encontrem também muitos outros vídeos, artigos, tweets e comentários que respondem a essas representações supraditas com ojeriza, comparando-o com defender assassinos, declarando que o mundo está enlouquecendo e, em alguns casos, exigindo a nossa execução. Imaginem o que isso pode fazer a uma pessoa, sobretudo um adolescente jovem.

Lembro-me de ter passado por uma experiência similar durante a minha adolescência (e durante o início da idade adulta). Ter a impressão de que o mundo inteiro odeia você e deseja te ver morto por apenas existir é devastador, desumanizante, cruel. As pessoas não conseguem ver além da nossa atração imutável e presumem que não passamos de monstros ou bombas-relógio. Isso leva muitos MAPs à depressão, e sem poder falar sobre o assunto, essa depressão muitas vezes fica desatendida. Isso aconteceu comigo durante minha adolescência, e não tenho dúvida alguma de que muitos outros adolescentes pelo mundo estão passando pelo mesmo enquanto escrevo isto.

Claro, alguns diriam que é tudo com o fim de proteger crianças. Mas, novamente, por que se deve presumir que somos um perigo? Por que devemos ser privados da nossa dignidade e nossos direitos humanos com base na possibilidade de que alguém decida fazer mal a outra pessoa? Isso, aliás, é algo que a maioria dos MAPs não pretende fazer, pois, como a maioria dos humanos, nos perturba a ideia de causar dano a outros. Essa possibilidade também não é exclusiva a aquilos atraídos por menores. Por acaso deveríamos recusar ou inclusive encarcerar todo homem heterossexual (teleiófilo) com base na possibilidade de que alguns deles possa decidir violentar mulheres?

Essa abordagem de desumanizar todo MAP faz pouco para impedir a exploração sexual de crianças e, em vez disso, causa sofrimento para inocentes. Há muito pouco esforço dedicado a encontrar como estas pessoas podem integrar-se na sociedade duma maneira sã. Para muitos MAPs, simplesmente ter alguém com quem falar já pode fazer muito para ajudá-los a lidar com sua sexualidade. Para jovens descobrindo sua sexualidade, ter recursos disponíveis que possam explicar o que é e o que não é essa atração pode ajudar a impedir muita ansiedade e confusão, como também pode ajudar aquilos que não são MAPs a ficar mais informados sobre esse tema. Quanto a anseios sexuais, pode ser tentador dizer que os MAPs simplesmente deveriam se abster de todo pensamento sexual. Porém, a repressão total da sexualidade não é necessariamente sã, e pode levar a problemas psicológicos no futuro. Embora esta ideia seja desconfortável para muitas pessoas, a masturbação e a pornografia simulada (fictícia) podem servir como alternativas saudáveis para pessoas atraídas por menores. Lamentavelmente, é difícil determinar com certeza se essas saídas podem ser verdadeiramente efetivas para esses anseios, pois o tabu associado a esse tema tem acarretado muito pouca pesquisa dedicada a ele.

A “Normalização” e “Procurar Ajuda”

Um argumento comum que vejo quando se fala sobre isto é a preocupação de que isto possa “normalizar a pedofilia”. Essa frase, porém, a acho problemática. O que exatamente se quer dizer com essa frase? É uma expressão vaga, e acredito que se origina duma má interpretação do que significam estes termos. Por um lado, a frase tende ser “normalizar a pedofilia”, mas isso já demostra certa ignorância sobre o tema, pois, como já dito, a pedofilia é só uma de várias cronofilias que descrevem uma atração por menores. Talvez uma frase mais precisa seria “normalizar a atração por menores”, mas isso ainda é um tanto vago, como explicarei a seguir.

O que significa “normalizar” a pedofilia / atração por menores? É a aceitação de relações sexuais entre adultos e crianças na nossa sociedade? Porque na maioria das vezes que esse tema surge, isso não é o que se está argumentando de todo. Será a “normalização” do fato de que pessoas com essa atração existem? De que modo seria frutífero ignorar a nossa existência? Gostemos ou não, pessoas como eu existem, e fingir que isso não é o caso só pode piorar a situação para todos.

Talvez essa “normalização” refere-se à aceitação de ajudar pessoas com essa atração a lidar com sua sexualidade de forma que não seja prejudicial nem para elas nem para crianças. Por que isso é algo ruim? Realmente é melhor marginalizar, isolar e desumanizar todo um grupo de pessoas unicamente por um aspecto imutável de sua existência? Ou talvez essa “normalização” refere-se a permitir que pessoas tenham pensamentos sexuais que envolvam crianças. Embora possa entender como alguns podem achar essa noção desconfortável, abordar esse assunto dessa perspectiva se assemelha perigosamente a querer controlar os pensamentos das pessoas, ou seja, impor um crime de pensamento. Pode-se pensar que ter pensamentos sexuais sobre crianças é inerentemente imoral, mas os pensamentos sexuais são só uma parte natural da sexualidade. Como se pode repreender alguém por ter fantasias sobre o que acha atraente? De qualquer modo, a repressão total da sexualidade, incluindo os pensamentos sexuais, mal parece uma alternativa preferível. Afinal das contas, os pensamentos não podem machucar ninguém. É só quando alguém decide agir que devemos nos preocupar, e não devemos presumir as intensões de outros baseado em coisas como pensamentos sexuais. De novo, seria justo presumir que alguém que tem fantasias sobre um adulto pretende fazer-lhe mal?

Outra possibilidade que consigo pensar com respeito ao que se quer dizer com “normalizar” é a “normalização” da discussão de questões pertinentes aos MAPs. Embora muitas pessoas possam ficar desconfortáveis ao falarem sobre esse assunto, como se pode atingir um melhor entendimento e soluções que possam servir para todos se simplesmente censuramos os tópicos que não gostamos? E mais do que isso, o que devem fazer as pessoas com essa atração se não podemos nem pronunciar-nos contra a maneira que somos tratados? Nunca devemos temer o discurso. Se decidimos que simplesmente não podemos falar de certos temas porque os achamos desconfortáveis ou desagradáveis, qual então seria o propósito e o valor da liberdade de expressão? Silenciar-nos é privar-nos dos nossos direitos humanos básicos (que, novamente, contribui à nossa desumanização).

Por último, gostaria de abordar outro equívoco sobre os MAPs. Tenho percebido que há pessoas que nos imploram a “procurar ajuda” quando escutam sobre nossa atração. Embora esse gesto seja certamente mais apreciado do que os típicos insultos ou ameaças, ainda sinto que é desacertado. Em muitos casos é imperativo que um MAP “procure ajuda” (“ajuda” neste caso refere-se à psicoterapia). Isso inclui sentir que não se podem controlar os impulsos sexuais, sentir angústia devido à atração por menores, sofrer de depressão, precisar de ajuda para lidar com a atração, etc. Note-se que até nesses casos um MAP ainda pode se sentir dissuadido de ir a terapia, pois muitos terapeutas carecem da formação e da experiência para tratar um assunto assim, e em alguns países tem leis que incentivam em grande parte os terapeutas a informar as autoridades sobre alguém que considerem um risco, mesmo se não o é. Tem mais consequências legais para terapeutas por não informar sobre alguém que acaba por cometer um crime que por informar alguém desnecessariamente.

No entanto, quando vejo pessoas implorar-nos a “procurar ajuda”, sinto que têm outra coisa em mente. Parecem ter a impressão de que um MAP, simplesmente por ter essa atração, deveria visitar um psiquiatra para “consertá-lo”. Esse raciocínio faz vários pressupostos errados, o mais grave sendo que a preferência sexual se pode alterar. Não só é impossível “livrar-se” da atração por menores: sugerir tal coisa assemelha-se perigosamente a um argumento a favor das terapias de reorientação sexual, já que supõe que uma atração sexual “indesejada” se pode simplesmente alterar usando métodos adequados. Muitos homossexuais no passado (e às vezes hoje em dia, infelizmente) tiveram que sofrer tratamentos atormentadores com a expectativa de que isso os tornaria “normais”, mas essas “terapias” têm demonstrado repetidamente ser vãs. Além do mais, o dano físico e emocional que tais tratamentos podem causar para alguém só pode ser prejudicial. Por que é que uma grande parte da sociedade tem determinado que tentar mudar a sexualidade dum homossexual está errado, mas que não aplica a mesma lógica para pessoas atraídas por menores? Claro, há o argumento de que um homossexual teleiófilo pode estar num relacionamento são e consensual. Porém, se estaria supondo novamente que ter uma atração necessariamente significa agir. Os homossexuais não foram submetidos a terapias de reorientação sexual com o propósito de impedir que se relacionassem com pessoas do mesmo sexo; foi mais porque a atração em si era visto como algo que precisava de “conserto”.

Desumanização

Apesar da angústia e da ansiedade que tive quando descobria minha sexualidade, hoje sinto-me muito mais à vontade com ela. Sei que não significa que perderei de repente a compaixão nem começarei a ansiar fazer mal. Sei que não sou uma má pessoa por ter essa atração. Decidi visitar um psiquiatra mesmo assim, só para escutar sua opinião. Afinal ele determinou que eu não representava perigo algum para crianças. Ele viu que, apesar da minha atração, não pretendia fazer mal a ninguém, e que já tinha aprendido a lidar com minha realidade há muito tempo. Como não tinha nada mais a fazer, decidimos terminar as sessões aí. Desgraçadamente, muitos MAPs sentem mesmo aflição sobre isso, e as atitudes hostis que surgem com respeito a esse tema não ajudam a aprimorar a situação.

O mal-entendido dos termos mencionados, assim como a atitude geral e o tratamento dos MAPs, creia uma situação na qual somos constantemente desumanizados só por existir. Diria inclusive que somos um grupo oprimido. Somos vistos como subumanos, monstros e bombas-relógio. Muitos de nós tivemos uma infância como qualquer outra, passatempos como qualquer outro, aspirações como qualquer outra, e no entanto, devido à nossa preferência sexual, somos sujeitados a sentir que somos menos que humanos. Nem podemos falar disso sem assumir o risco de ser marginalizados. Já vi pessoas exigirem a morte de pessoas como eu, com expressões como “a única cura é uma bala na cabeça” ou “o único pedófilo bom é o que esteja morto”, enquanto são encorajadas. É genocida. E nas raras ocasiões em que se fala de nós como algo além de demônios, manifestam-se em seguida sentimentos de repugnância e histeria. Como é que se pode considerar isso outra coisa senão desumanizante e opressivo?